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CORONEL FABRICIANO
Barulho musical - Meu primeiro vestibular
BENEDITO FRANCO
Durante os sete anos de Lula na presidência, a equipe econômica já doou R$ 486 bilhões aos bancos... e faltam saúde, educação, estradas... e o Presidente do Banco Central quer aumentar ainda mais os juros dados aos bancos...
Barulho musical
Na Boite Michelangelo, no Bairro Boca, em Buenos Aires – na época a mais famosa
das boates da cidade - um conjunto maravilhoso tocava tangos e mais tangos,
encantando-nos a todos.
Num certo momento, alguém da orquestra comentou sobre a presença de brasileiros
e teceu elogios ao nosso samba, dizendo que lá havia também um ritmo meio afro e
bem parecido com o nosso: o tamba. Apresentou o samba e depois o tal tamba. Que
decepção, tanto no samba quanto, pior ainda, no tamba – Ary Barroso bradaria: -
«Um sambinha sem vergonha e mal tocado». O tango é maravilhoso!
O tenor Plácido Domingo - vi um comentário de que seria ele o maior de todos os
tenores, embora o Pavarotti me agrade mais - em um programa de televisão em São
Paulo, cantou a Aquarela do Brasil, do mineiro Ary Barroso, e foi uma senhora
decepção – o público praticamente ficou apático. Com aquele sotaque espanhol,
meio americanizado, é difícil cantar bem nossa música.
Não bastassem as TVs nos entupirem com músicas e expressões americanas, aos
sábados, em um programa de calouros, praticamente só se cantam canções em
inglês. Se o Plácido Domingo é uma decepção cantando nossa música, imaginem o
que riem e ridicularizam os americanos vendo e escutando brasileiros, dando uma
de bons, cantando em inglês!... Uma gritaria, travestida de canto!... barulho
musical... com sotaque tupiniquim! O apresentador chegou a mencionar o pedido de
brasileiros que moram nos EEUU, para que os calouros cantem em português... E só
ligar o desconfiômetro...
...quando eu digo que brasileiro é burro...
...O maior!...
Quem foi, ou é, o maior?-
Michelangelo ou Da Vinci? E entra no meio a briga feroz entre o Michelangelo e o
Rafael...
Vieira ou Camões?
Machado de Assis ou Drummond? (Drumond? Drummond? Drumonnd?... Assinava:
Drummond)
Caruso, Plácido Domingo ou Pavarotti?
Pelé, Garrincha ou Ronaldo?
Sócrates, Platão ou Aristóteles?
Homero, Virgílio ou Dante?
Alexandre, Cesar ou Napoleão?
Getúlio ou JK?
Todos foram ou são geniais... dá até para sentir minha pequenez...
Os mais falados hoje em dia, a gente fica na dúvida se são mesmo artistas,
sábios ou, a maioria, produtos da mídia...
002 - Meu primeiro vestibular
Com essa «marolinha» que houve no ano passado em nossa economia, vocês se
lembram de quantos bilhões o governo doou para os bancos?...
Vejam as consequências:
- Com resultado recorde do BB, setor registrou lucro 15% maior em 2009.
- Nós sem saúde, sem educação e os aposentados, com salários miseráveis,
morrendo de fome...
Morava com meus pais (que saudades!), em Coronel Fabriciano, e trabalhava como
químico, no Laboratório Franco, de propriedade de minha irmã Celma, bioquímica e
hematologista, quando resolvi prestar o vestibular na Universidade do Trabalho,
no início de seu funcionamento.
Em matéria de provas sempre fiz o mínimo necessário. Lembrei-me de quando
cursava Química no Rio, pois recebendo um dez numa prova, deixava de fazer a
seguinte - média cinco passava. Nessa escola - apesar de, posteriormente, ter
freqüentado, por algum tempo, algumas faculdades - passando no vestibulinho,
para química ou eletrotécnica, recebi o único diploma na vida, pois, o trote era
apenas o recebimento, pelo novo aluno, de um Diploma de Burro (guardo-o até
hoje... Uma honra!). Formei-me e não busquei, até agora, o meu diploma de
químico - normalmente trabalhei em multinacionais e nunca me exigiram por terem
mais químicos.
Como trezentas eram as vagas e só duzentos e noventa e oito os candidatos,
incluindo eu, constava no regulamento do vestibular que não passaria quem
tirasse nota zero em qualquer das provas. Portanto, uma vez mais vagas que
candidatos, recebendo nota diferente de zero, em todas as provas, seria
aprovado!
E lá fui eu para a primeira delas: inglês.
Encabeçando as perguntas:
- Do you speak english?
- Yes! Respondi.
Nem bem um minuto era passado, levantei-me e entreguei os papeis ao inspetor.
Meio assustado:
- Não vai fazer a prova?
- Já terminei.
Os colegas, ouvindo minha resposta, olharam-me de olhos arregalados - o inspetor
mais ainda: Seria um gênio?... Devem ter pensado.
Saí tranqüilamente.
A segunda: matemática. Cento e vinte problemas fáceis, capciosos. O inicial,
praticamente uma soma de 2 + 2. Escrevi: = 4. Entreguei. E mais uma vez o
inspetor com a mesma pergunta e os colegas me olhando de lado.
Também saí tranqüilamente.
E assim aconteceu com todas as provas. Respostas mínimas, mas com a certeza de
estarem corretas. Logo... aprovar-me-iam!
Qual não foi a surpresa quando recebi comunicação da UT para comparecer à
diretoria. Pensei que a UT não chamaria um candidato à-toa, pois os desaprovados
não são comunicados, logo, algo de bom aconteceu.
Comparecendo, fui argüido, por um diretor e o assistente, sobre minhas respostas
nas provas. Respondi-lhes que apenas segui o regulamento, tomando cuidado de as
respostas estarem absolutamente certas.
Meus inquisidores, depois de confabularem, disseram-me que me reprovaram porque
a resposta na prova de inglês estava incorreta. Deveria ser: «Yes, I do!».
Argumentei que americanos, do jeito que são práticos, nunca falariam «Yes, I
do!», apenas «Yes», como coloquei propositadamente na prova - mesmo sabendo
poder não ser verdadeiro.
Acataram meu argumento...
E lá fui eu estudar Ciências Exatas!
Benedito Franco