| pagina seguinte |
| poesia |
| cronicas |
| contos |
| cultura |
| educação |
| agenda cultural |
| humor |
| ambiente |
| solidariedade |
| assuntos europeus |
| ciência |
| tecnologia |
| colunas/empresa |
| biografias |

Poesia de João Furtado
(Cidade da Praia - Cabo Verde)
MENINO DE RUA
Vai o menino tímido no meio da multidão
Ele já esqueceu que se chama Juvêncio
E caminha ele na rua no eterno silêncio
Vai trémulo e tímido e apertado o coração!
A mãe morreu ontem e o pai nunca teve
Vai pelo mundo sozinho andar sem amparo
Quase nu vai vestido e no rosto pouco preparo
Que da sociedade nenhuma misericórdia obteve!
Quando a fome sentir o menino Juvêncio
Irá ao lixo das esquinas tirar a refeição
Todos passam por ele, ninguém tem a reflexão
De ler nos seus olhos a fome no seu silêncio!
Quando anoitecer e sem Sol tudo ficar escuro
O menino cairá cansado numa qualquer esquina
E mais um que ao «menino -de - rua» a sorte lhe destina
E a sociedade continua no silêncio com coração duro!
Joao Furtado
AS BALEIAS MORREM EM CABO VERDE
Porque estas tu tão triste Pardalito
Que nem me brindas com tua linda canção
Sinto que dói o teu sentido coração
Para estares tão calado, tão esquisito…
E eu, meu amigo irracionalmente dito
Sinto-te num silêncio tão sofrido…
Diga-me, meu amigo o que tens tido
Que em mil acontecimentos eu medito
Dizes que as baleias sufocadas
A terra estão a dar aos cinquentas
E que as mortas tristes não aguentas
Será que no mar as águas estão contaminadas?
Queres contar muito mais amigo
Mas não quero ouvir mais nada
Já tenho a vida toda desgraçada
Apenas por falar, meu amigo, contigo!
Não é fácil, te digo eu, Pardal mensageiro
Ser eu teu único e sempre confidente
E ouvir os sofrimentos tidos por ti mormente
Ainda que volúvel como és, todos passageiros!
Meu pardal, ao chorares a morte das baleias
Que em Cabo Verde tristemente se suicidaram
Mais uma vez, meu amigo Pardal, me provaram
Que o homem é único que resume-se as suas ideias!
João Furtado
Praia, 18 de Junho de 2010