Poesia de Sanio Aguiar Morgado
IDADE
Os olhos
que te vêm,
tem a mesma
idade dos teus.
O coração que
brinca de amar,
também ainda
não aprendeu.
A boca
tem os beijos,
mais doces
e ardentes.
As mãos
os carinhos
suaves que
nunca esqueceu.
Mas quando
os observo
à frente de
um espelho;
Ficam paralisados
como se
nenhum deles
fosse meu.
AMOR DESCONHECIDO
Tu que sempre amei
e tanto procurei,
onde estavas que
nunca te encontrei.
Sentia-te tão perto,
percebia o teu olhar,
mas se te procuravas
fugias sempre de mim.
Quem sabe se não foste,
alguém com quem falei,
deixando uma amizade
embora muito te amei.
Queria te encontrar,
ver o teu rosto e
acabar este desgosto
de não te conhecer.
O tempo apagará
esta história que sou,
de alguém que amando
não soube quem amou.
PROFISSAO
Há um faxineiro de
almas, limpando ruas,
varrendo folhas,
juntando emoções,
amassando as dores
e queimando lixos.
Como o jardineiro,
tratando este canteiro
de rosas e espinhos,
retirando do caminho
galhos secos, ervas daninhas,
deixando o jardim em flor.
Enfermeiro do amor,
cicatrizando feridas,
cuidando das mágoas
de almas sofridas
que se põem a sorrir
e esquecem da dor.
Se perguntam
por fim: - Quem é ele?
-E o fotógrafo da vida,
guardando imagens vividas
da grande obra divina,
um poeta e cantador.
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