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FEEDS


 

Santos Populares – Festas de S. João em Portugal

 

Por Arlete Piedade

 

Estamos a entrar no mês de Junho, mês dos santos populares, tanto em Portugal como no Brasil e noutros países.
Já Marcelo Torca escreveu um artigo sobre as festas juninas no Brasil este ano e no ano passado o mesmo e outros o fizeram e também eu no ano passado escrevi sobre o nosso Santo António.

Então este ano para os nossos amigos brasileiros, em especial os colegas, Marcelo Torca e Antonio Santos o Acas, resolvi apresentar-vos este trabalho sobre os festejos tradicionais do São João em Portugal, que têm especial significado na cidade do Porto.

O São João do Porto é uma festa popular, de origem pagã, que tem lugar de 23 para 24 de Junho. Trata-se de uma festa cheia de tradições, das quais se destacam o lançamento de balões de ar quente, os martelos de plástico usados para bater nas cabeças das pessoas que passam, os alhos-porros, os ramos de cidreira e de limonete, usados para pôr na cara das pessoas que passam, o que é bastante desagradável.

Existem, ainda, os tradicionais saltos sobre as fogueiras espalhadas pela cidade, normalmente nos bairros mais tradicionais; os vasos de manjericos com versos populares são uma presença constante nesta grande festa e o tradicional fogo de artifício à meia-noite, junto ao Rio Douro e à ponte Dom Luís I que faz as delícias dos milhares de residentes e visitantes que chegam de todo o mundo para assistir.

O fogo de artifício chega a durar mais de 40 minutos, estando ao nível dos melhores no mundo, e decorre no meio do rio em barcos especialmente preparados, sendo acompanhado por música num espectáculo multimédia muito belo e digno de se ver.

 

Além de tudo isto, existem vários arraiais populares, em bairros tradicionais como Fontainhas, Miragaia, Massarelos, entre outros, dando mais animação e brilho durante a noite. Nos arraiais, normalmente, existem concertos com diversos cantores populares acompanhados, quase sempre, por boa comida, em especial, grelhados de sardinhas e carnes.

A festa dura até às três ou quatro horas da madrugada, quando a maior parte das pessoas regressa a casa. Os mais resistentes, normalmente os mais jovens, percorrem toda a marginal desde a Ribeira até à Foz do Douro onde terminam a noite na praia, aguardando pelo nascer do sol.

 

Encontrei também a história dos famosos martelinhos que se usam no Porto nos festejos de São João para dar com eles na cabeça das pessoas. Vou transcrever aqui a Historia dos Martelinhos de S. João que encontrei num blog, como podem ver a seguir:

A História dos martelinhos de São João

O martelo de S. João foi inventado em 1963 por Manuel António Boaventura, meu Avô, industrial de Plásticos do Porto, que tirou a ideia num saleiro/pimenteiro que viu numa das suas viagens ao estrangeiro. O conjunto de sal e pimenta tinha o aspecto de um fole ao qual adicionou um apito e um cabo vindo a incorporar tudo no mesmo conjunto e dando-lhe a forma de um martelo. O objectivo inicial era criar mais um brinquedo a adicionar à gama de que dispunha.

Nesse mesmo ano os estudantes abordaram o Sr. Boaventura com o intuito de lhes ser oferecido para a queima das fitas um «brinquedo ruidoso», ao que o Sr. Boaventura acedeu oferecendo o que de mais ruidoso tinha...os martelinhos. A queima das fitas foi um sucesso com os estudantes a dar «marteladas» o dia todo uns nos outros e logo os comerciantes do Porto quiseram martelinhos para a festa de S. João.

Esse ano o stock era pouco mas no ano seguinte os martelos foram vendidos em força para esta festa e ao mesmo tempo oferecidos pelo Sr. Boaventura a crianças do Porto.
Assim o martelinho entrou nas festa do S. João sendo aceite incondicionalmente pelo povo nos seus festejos.

A venda fez-se normalmente durante 5 ou 6 anos até que um dia o Vereador da cultura da Câmara do Porto, Dr. Paulo Pombo e o Presidente da Câmara do Porto Engº Valadas chegaram á conclusão de que este brinquedo ia contra a tradição e decidiram fazer uma queixa ao Governador Civil do Porto Engº Vasconcelos Porto, queixa esta que foi aceite tendo mesmo o Governador Civil notificado o Sr. Boaventura de que no ano seguinte estava proibido de vender martelos para a festa de S. João, mandando avisar que quem fosse apanhado com martelos na noite de S. João seria multado em 70$00 (na época ganhava-se cerca de 30$00), e mandando retirar os martelos das lojas comerciais onde estavam á venda. O que é certo é que o povo não acatou esta decisão e continuou a usar o martelo nos seus festejos.

O Sr. Boaventura ao ver-se lesado e injustiçado nesta decisão do Governo Civil levou então a quest��o a tribunal, perdendo em 1ª e 2ª instância. (estava-se no tempo de Américo Tomás e Marcelo Caetano e consequentemente da PIDE). No entanto no ano de 73 recorreu para o Supremo Tribunal e ganhou a questão, podendo assim continuar a fazer os martelinhos que se tornaram tradição popular não só no S. João do Porto, como no S. João de Braga, Vila do Conde, Carnaval de Torres Vedras, Passagens de ano, campanhas de partidos políticos, etc.

Os martelos sofreram inúmeras alterações ao longo dos anos mas a tradição ficou e a sua história perdeu-se com o tempo....
A minha homenagem...
Esta é a minha singela homenagem ao meu avô... Manuel António Boaventura, fundador da Fábrica de Plásticos Estrela do Paraíso em 1958!
Postado por Manuel Marinho
http://martelodesjoao.blogspot.com/

São João é o santo que mais se festeja na Europa.

São João era primo de Jesus e ganhou o nome de «baptista» porque baptizava as pessoas no rio Jordão, derramando-lhes água sobre as cabeças.
Grande crítico da política romana era adorado pelo povo e odiado pelo Rei Herodes, que o mandou decapitar, a pedido da sua enteada, Salomé.

O dia 24 de Junho foi consagrado a S. João pois crê-se que ele nasceu nesta data. Protector dos casados e dos enfermos, São João também é casamenteiro e, pela sua vida retirada, é ainda patrono dos monges.

A comemoração do seu nascimento é das mais ricas do calendário litúrgico, sendo o santo mais festejado no Brasil, onde se dá o nome de «festas juninas» à celebração dos três santos. A dedicação popular a São João é que nem sempre foi do agrado da Igreja, visto ser demasiado alegre para um santo que viveu tão afastado das coisas do mundo.

Segundo os registos do Cancioneiro Português, dos três santos: Santo António, S. João e S. Pedro, São João é o santo menos confiável, por causa da fama de sedutor.

«São João fora bom santo
se não fora tão gaiato
levava as moças para a fonte
iam três e vinham quatro.»

São João é o Santo mais festejado em todo o país. Pelo menos é o que nos diz o Cancioneiro Popular:

«Até os mouros na Mourama
festejam o São João.
Quando os mouros o festejam
que fará quem é cristão.»

As festas em louvor de São João, que conservam grande parte da sua tradição original no Norte do país, e principalmente no Porto como já vimos e em Braga, são de inspiração bastante mais pagã que as festas em louvor de Santo António ou mesmo de São Pedro.

De facto, estas festas lembram as festas solisticiais romanas, sobretudo se compararmos as danças em redor das fogueiras, onde são queimadas ervas aromáticas, nas orvalhadas, luminárias, balões ou mesmo nos banhos matinais típicos.

A noite de São João é a noite das previsões por excelência. Desde casamentos ao ano agrícola e ao clima, tudo se pode saber nesta altura.

A esse propósito escreve Consiglieri Pedroso:

«Assim, na noite de São João, põe toda a gente do povo, em Beja, numa tábua, doze montinhos de sal, aos quais se dão os nomes das empresas, começando por Janeiro, Fevereiro, etc.; passam depois a tábua pelo fumo de uma fogueira e deixam-na ficar toda a noite ao relento da manhã. Antes de o sol nascer, correm à tábua para examinarem qual dos montinhos de sal está mais húmido, e é então que sabem quais os meses em que choverá mais, segundo os nomes que lhes deram e a humidade de cada um.»

Em Trás-os-Montes, acreditava-se que o costume de as raparigas cortarem as pontas do cabelo e colocá-las sobre uma silva mansa, antes do nascer do Sol, fazia com que as pontas não voltassem a espigar. Por todo o país, criaram-se estes mitos em volta da noite de São João.

QUADRAS a S. JOÃO (Populares)

Meu querido São João
És um Santo popular
Traz teu arco e teu balão
Vem com o povo dançar!

Delicados pés pisaram
Rosmaninhos pelo chão
Muitos corações amaram
Na noite de São João.

Na festa de São João, a gastronomia é tão importante como a religiosidade que lhes está associada.

São João é festejado com pratos especiais: carneiro ou cabrito do norte, caldeiradas de peixe no litoral, uns bolos chamados «capelas de São João» no Alentejo, bonecos com o formato do Santo no Algarve. No Porto, anho ou carneiro, febras, sardinhas e o caldo verde são pratos indispensáveis para os foliões.

Assim embora os festejos mais conhecidos sejam efectivamente na cidade do Porto, um pouco por todo o país se festeja o S. João, assim como o Santo António e o S. Pedro.

Pode-se concluir que Santo António é o santo de Lisboa e S. João o Santo do Porto, as duas principais cidades portuguesas, que desde sempre mantiveram uma certa rivalidade, nem sempre saudável, em especial quando se pensa no futebol.

Mas isso são outras histórias e agora vos deixo aqui também um cheirinho das marchas de Lisboa em honra do Santo António, para poderem comparar os diferentes festejos do Santo António em Lisboa e do S. João no Porto.

Arlete Piedade

Video das marchas de Santo António:

 

http://www.youtube.com/watch?v=Qh7currly_c&feature=related

 

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