EDIÇAO Nº77 , 1º NUMERO  DE JULHO DE 2010      EDIÇAO Nº77, 1º NUMERO  DE JULHO DE 2010     EDIÇAO Nº77, 1º NUMERO  DE JULHO DE 2010      EDIÇAO Nº77, 1º NUMERO  DE JULHO DE 2010

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COLUNA UM

Daniel Teixeira

O futebol

O Campeonato do Mundo retirou-nos clientela: primeira constatação. Durante este período mais ou menos quente, na Africa do Sul jogava-se à bola e não se lia o Raizonline, nem no País de Mandela nem noutros lados. A cultura predominante neste período foi a táctica, o bom jogador, a equipa bem organizada: que sabe defender bem e parte lesta para o contra ataque ou recupera logo as bolas a meio campo.

Durante este período ouvi os comentadores mais credenciados «palpitarem» sobre o que devia ser feito e sobre o que não devia ser feito dentro de campo, como fulano estava a jogar bem ou mal e assisti e ouvi os «escândalos» mais inusitados: Portugal eliminado logo na primeira partida por uma Espanha que não joga nem melhor nem pior que os outros, o Brasil, eterno candidato ser eliminado por uma laranja cheia de sorte e com olho para as falhas defensivas da equipa de Dunga, a Argentina sob o comando atento de génio Maradona levar uma goleada, tendo antes visto partir a Inglaterra, a França, a Itália e toda uma plêiade de candidatos à final que foram ficando pelo caminho.

Impõe-se reflectir sobre o futebol e cada Mundial ou grande competição internacional traz sempre novidades: transforma favoritos em equipas quase vulgares e potenciais equipas de segunda linha em heróis. Valha-nos isso, esperar o inesperado em futebol é sempre melhor do que viver o esperado. Seja...

As Seleções do Raizonline

Este assunto estava sobre relativo controle até há pouco tempo. Primeiro constatámos que havia muitos mais potenciais editados do que o espaço disponível num livro de tamanho razoável. Fizeram-se algumas consultas informais: escolher uma bitola mais alta, uma bitola diferente ou editar um segundo exemplar.

No plano da bitola (medida certa para a coisa acertar) seria a nosso ver injusto não publicar tanto trabalho de qualidade e seria injusto também fazer um primeiro e um segundo volume que pudesse dar a ideia de que havia publicados escolhidos de primeira (edição) e de segunda (edição).

Depois temos a questão do enquadramento do(s) volume(s) de forma a dar-lhe algum equilíbrio entre os temas (poesia, conto, crónica, cultura e educação, etc.). Nada de impossível, é um facto, mas complicado sempre.

Por último, o factor tempo (incluído já em qualquer um dos pontos acima focados). Difícil, em suma. A publicação de antologias sobre os mais diversos temas prolifera neste nosso «mercado alvo». Salvo o devido respeito pelas honrosas excepções há talvez quase tantas edições como autores a ser publicados, continuamente, num ritmo não propriamente alucinante mas bastante acelerado.

Ora a nossa antologia / seleção tem o fito de ser antes de mais um arquivo de trabalhos de qualidade publicados no nosso Jornal, uma ideia a continuar, uma coleção a impor-se, um passado a guardar para um futuro que se acredita auspicioso. Os nossos autores publicados não vão apenas difundir o seu trabalho entre amigos e conhecidos embora essa aspecto seja importante. Vão entrar no mercado e têm de entrar por uma porta suficientemente larga que permita o suspense e o desejo dos seus leitores de ter mais até ao próximo número.

Dados os parâmetros definidos atrás uma coisa nos parece certa: temos de fugir à corrente publicação antológica (pela qual temos o nosso maior respeito, diga-se) e mostrar algo de suficientemente apetecível não só pela sua qualidade temática mas também pela sua qualidade gráfica (papel, capa, correção ortográfica, revisão de textos, etc.). Isso leva tempo e não nos custa confessar que se soubéssemos o que sabemos hoje não teríamos criado prazos de seleção e publicação tão apertados.

Não vamos fazer nada «em cima do joelho»: vamos sim marcar a nossa posição neste «mercado» conjugando a qualidade temática com a qualidade gráfica e isso leva tempo...tanto tempo que não vamos ter tempo (aliás já ultrapassámos o prazo) de fazer a publicação ainda em período considerado razoável com o prometido.  Pedimos desculpa (eu pessoalmente peço desculpa) mas deveria ter sido previsto o imprevisto: a grande qualidade e a grande quantidade de textos enviados para seleção e os efeitos de tal facto. Fomos suficientemente utópicos ao ponto de considerar há cerca de dois meses que em duas ou três semanas de trabalho contínuo teríamos o resto do trabalho organizado.

Não fizemos o trabalho também porque nem tivermos tempo continuado de trabalho: outros valores vão surgindo todos os dias aos quais é necessário dar atenção e dar tempo: este jornal não pára de receber colaborações novas e noticias agradáveis. Vamos - ligando agora uma coisa à outra, quer dizer, o desenvolvimento do jornal à publicação das Seleções - tendo por cada dia que passa (excepto durante o excepcional período do futebol referido acima) cada vez mais gente interessada no trabalho dos nossos colaboradores e vamos tentando arranjar soluções para valorizar essas mesmas prestações. E isso é visível para todos no dia a dia do jornal.

Por isso, e fechando esta parte, porque ela continua de forma indirecta, vamos apenas conseguir fazer a publicação das Seleções  do Jornal Raizonline em Outubro próximo. Relendo o que foi dito acima sobre a profusão de publicações antológicas existentes no nosso «mercado» pensamos (para além das razões relacionadas com a falta de tempo acima referidas) que será uma boa altura dada a maior proximidade do período festivo do Natal: será sempre uma boa oferta e meter em qualquer sapatinho e cabe perfeitamente em qualquer chaminé.

 A Rádio Raizonline       

Desde há uns tempos para cá, cerca de três meses sensivelmente, temos vindo a meter com maior frequência poesia declamada em ligações no nosso jornal. Temos neste momento uma estrutura mínima montada que nos permite pensar na possibilidade de termos textos poéticos e outros ditos por pessoas que para tal têm apetência e qualificação.

Tivemos até há dias uma parceria com uma Rádio que acabou por funcionar como elemento despoletador desta nossa actual vontade de metermos em marcha uma Rádio nossa, seguindo os parâmetros e figurino deste jornal que agora lêem.

Vamos começar brevemente com  emissões experimentais que se resumem inicialmente a música intercalada com noticias, crónicas, resumos dos textos publicados em cada semana, referências aos nossos colaboradores e ao jornal.

Abrimos já uma recolha de spots curtos de apresentação dos colaboradores do jornal e da rádio e iremos metendo com o tempo locução pontual, noticias de interesse do mundo da cultura lusófona, ibérica e latino americana. Não pudemos esquecer os laços de proximidade que ligam por exemplo Portugal e Espanha e comunidades autónomas e esta à América Latina assim como não pudemos esquecer os laços de proximidade entre o Brasil e países da América Latina.

Por outro lado existem comunidades lusófonas fortes quer na América Latina, quer nas proximidades de alguns países africanos de língua oficial portuguesa, assim como o português se apresenta em muitos países como segunda língua de opção. A CPLP, por muito que nos custe reconhecer algum valor a uma instituição eminentemente de topo, quer dizer, feita de cima para baixo e não de baixo para cima dado que é em «baixo», no povo, em nós, que está a preservação da cultura portuguesa ou de outra qualquer, tem tido a virtualidade de congregar (sempre no topo) países limítrofes ou não de muitas ex-colónias portuguesas. Isso também não nos pode passar ao lado, deve merecer a nossa atenção...e a Net em nós, escrita (pelo Jornal) ou falada (pela Rádio) tem muito a ganhar nestes campos todos...

O mundo está em mudança há tempo suficiente e nós também mudamos com ele: estejam pois sempre connosco que vamos seguramente no caminho certo porque, em última análise, é impossível haver outro caminho...     

Abraço a todos

Daniel Teixeira

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