POESIA
DE ARLETE PIEDADE
Contigo
Junto a ti sonho viver as emoções
Mais loucas que na vida já senti
Já amei, mas jamais estas paixões
Entranhadas como contigo eu vivi
Vivi e renascem a cada momento
Em que te olho e sinto a meu lado
Ocupas sempre meu pensamento
Es o dono deste amor atormentado
Conquistaste meu ser, vida e alma
Meu corpo já não me pertence!
E teu brinquedo de prazer agora...
Roubaste de mim toda a calma
E por muito que tente e pense
Esta chama ardente, me devora!
Arlete Piedade
Extase
Nesse mundo só nosso tudo é permitido
Refugiados somos da cinzenta realidade
Pintamos as paisagens com amor colorido
Recriamos sem receios, a nossa verdade!
Dentro da mente, criamos artes sem fim
Viajamos devagar ou á velocidade da luz
Sou tua e me tomas num extase sem fim
Levas-me ás estrelas e o universo reluz
Vagamos pelo espaço e não há limites
Só nós dois os criamos e não queremos
A terra, o céu, o mar, são a nossa cama...
A cada noite me entrego e só tu existes
Nessas letras que encantam e que lemos
Incendeiam nossos corpos com sua chama!
Arlete Piedade
Pensamentos
E na solidão das tardes ensolaradas
Enterrada nesta vida que não vivi...
Lutando com a insónia na madrugada
Que infindávelmente penso em ti...
Revolto-me com o tempo já passado
Conto o que o futuro nos reserva ainda
Não podemos voltar atrás, meu amado
Mas devemos viver esta paixão linda
Já o tempo branqueou nossos cabelos
E nos nossos corpos enfraquecidos
Resistem ainda os corações cansados
Então vamos desistir de nossos anelos?
Vamos sentir o que outros já esqueceram?
Revivendo nossas emoções, lado a lado?
Arlete Piedade
Mãos
Com minhas mãos pequenas toquei o mundo,
logo que nasci lá longe no passado;
nesse lugar que recordo, no profundo
recanto do meu coração magoado!
Com minhas mãos fortes toquei meu filho,
naquela manhã distante e dolorida,
quando por amor me fiz Mãe! - E esse trilho
transformou-se em larga estrada colorida!
Minhas mãos acariciaram o velho rosto
Apertaram as suas mãos enfraquecidas
No ultimo adeus nesse leito de hospital...
conformada em viver com esse desgosto,
minhas mãos sentem-se vazias e perdidas
na perseguição inútil da ilusão final...
Arlete Piedade
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