COLUNA DE MARIO MATTA E SILVA

Poema
Reflectindo por aí
Quando vou por aí
não me animo
nem me consolo
vou apenas por aí
sozinho em minha monotonia
sentindo o avançar do dia
numa angustia de ter dó
vertigem do estar só
andando por aí
em minhas reflexões
e desfeitas convicções
num ânimo absorto;
triste de mim
me exorto
quando posso
ou me remoço
no fantasma em que vou
do que sou e não sou
perdido por aí.
São minhas essas reflexões
bisonhas
sem busca de éticas
ou de estéticas
nem de gestos de pudor
e no amor
me afoito, grato e faminto
espelhando o que consinto
com ares patéticos
que não descodifico
e vou até onde fico
em minhas emoções
sem exuberâncias
que as circunstâncias
do momento sabem apaziguar
até ao deslumbrar
da existência
essa permanência
que me consome
feita de sensações
tais e tantas
que minhas reflexões
permanecerão por aí
vá onde eu for.
10.6.2010
MARIO MATTA E SILVA

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