Carlos Funghi

Nota Biográfica:
Nome completo: Carlos Antônio Funghi de Azevedo
Assina: Carlos Funghi
Naturalidade: Brasileira, nascido em Belo Horizonte – Minas Gerais Profissão:
Funcionário Público na Prefeitura de Belo Horizonte. Sou formado pela UEMG –
Universidade de Minas Gerais, Escola de Design (Desenho e Modelagem – Educação
Artística) Trabalhei anteriormente ainda pela Prefeitura por doze anos no Centro
de Convivência Carlos Prates, onde monitorei oficinas terapêuticas de desenho e
pintura, e um coral. Agora com 62 anos completados recentemente, aposento-me no
próximo setembro. Recentemente comecei a publicar pequenas crônicas no Recanto
das Letras e um E- Livros intitulado Memórias de Marco.
POEMA
Volte Pá
Venha e cante teus velhos e novos fados
Aos ouvidos dessas nossas gentes
Desafinadas
Que aqui se aportam sem almas
Sem brios, sem porte
Num desterro sem fim
Sem cântaros, sem paços
Em trôpegos passos
Ponho os pés no mar
Solitário, pergunto aos meus ouvidos:
Não vistes por aí
Algum novo navegador?
De pele alva
E um astrolábio por ideal?
Pronto a desdobrar o mundo
A caberem seus sonhos sem fim?
Volte Pá
Que me mato
Esperando, sonhando
Em teus alecrins
Não te esqueças também,
Quero as almas de teus castelos
Para desfazermos
O longo cisma
E em suave mandolinata
Juntando as freguesias
Rezarmos à Virgem
Numa eterna Iria...
TEXTO
Amiga Lua
Testemunha ocular de nossas vidas. Quanto você já viu, já escutou nessa longa história humana.
Mil serestas mil poemas e canções você nos inspirou. Quantos roubos e falcatruas sua luz iluminou.
Não repare não dona lua; é que somos assim mesmo. Um dia fazemos poemas, somos puro lirismo. No outro esquartejamos o próximo por causa de uma cachaça.
Fico imaginando aqui do pedacinho de mundo nas Minas Gerais, o quanto você já espiou. Quem sabe no passado sua clara consistência fez dia às mulas que transportavam as últimas encomendas do Aleijadinho, outro de luz clara.
Quantas vezes do puro céu seu clarão fez luz nas arruelas escusas de Vila Rica para passar os espectros dos inconformados inconfidentes.
Aposto que era de seu dia brilhante quando a cabeça de Tiradentes descansou no poste da ignomínia.
Quiseram te dominar com o sujo pé americano, mas graças ao criador parece que não encontraram em sua pele ouro e diamantes, melhor assim. Se vissem o que vejo quereriam talvez cobrar a sua luz.
Agora, os meninos meliantes picham nossas tendas. Marcam com spray nossas desigualdades. Mas antes também já te pichamos; lembras do São Jorge e o Dragão? Pois é, ele era santo e guerreiro.
Eu sei que é engraçado, dona lua, alguém ser santo e guerreiro, mas é de nossa dualidade, lembras o escrito acima? Lirismo de vida, cachaça de morte.
Hoje dona lua, está cada dia mais difícil te ver. As lâmpadas nos postes abrem medíocre concorrência. Pensamos não precisar mais buscar em tuas fontes o precioso e necessário lirismo. Estamos por demais embevecidos na fria relação bate-papo via Internet.
Nossas varandas onde entre amigos e vizinhos antes bebíamos o teu doce leite noturno e nos fartávamos de tantas paixões, restringiu-se em uma fria telinha e um teclado burro.
Mas não falta muito para que o grande liquidificador comece girar e tudo volte ser como dantes.
Aí sim, o verbo se fará lua...
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