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COLUNA DE TOM COELHO
Conheça sua Base Motivacional
«Nós sabemos o que somos, mas não o que podemos ser.»
(Shakespeare)
Vamos colocar de lado o conceito equivocado de que motivação, no mundo corporativo, significa bônus salariais, promoções, eventos festivos, palestras - show e tapinhas nas costas. Embora importantes e desejáveis, profissionais responsáveis sabem que estes são aspectos apenas estimuladores de um comportamento proativo.
Motivação é um processo endógeno, responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para atingir uma determinada meta. A intensidade está relacionada à quantidade de esforço empregado –muito ou pouco. A direção refere-se a uma escolha qualitativa e quantitativa em face de alternativas diversas. E a persistência reflete o tempo direcionado à prática da ação, indicando se a pessoa desiste ou insiste no cumprimento da tarefa.
Teorias comportamentais
Muitos são os estudos acadêmicos envolvendo teorias comportamentais. Abraham
Maslow e a Teoria da Hierarquia da Preponderância das Necessidades, Burrhus
Skinner e a Teoria da Modificação de Conduta, Victor Vroom e o Modelo de
Expectância, Julian Rotter e a Teoria da Aprendizagem Social, Frederick
Herzberg e Teoria dos Dois Fatores, Douglas McGregor e a Teoria X e Y, e
mais recentemente, Mihaly Csikszentmihalyi e a Experiência Máxima ou Flow.
Enfim, há uma série de outros autores dignos de menção, mas meu intuito aqui
não é fazer um tratado acadêmico. Aliás, falar de teoria no mundo
corporativo é falar de fumaça. Esta introdução foi apenas para apresentar um
último nome que tem uma grande contribuição prática para ser apreciada:
David McClelland, psicólogo da Universidade de Harvard, com a Teoria das
Necessidades.
Três bases motivacionais
McClelland identificou três necessidades secundárias adquiridas socialmente:
realização, afiliação e poder. Cada indivíduo apresenta níveis diferentes
destas necessidades, mas uma delas sempre predomina denotando um padrão de
comportamento.
Pessoas motivadas por realização são orientadas para tarefas, procuram
continuamente a excelência, apreciam desafios significativos e satisfazem-se
ao completá-los, determinam metas realistas e monitoram seu progresso em
direção a elas.
Indivíduos motivados por afiliação desejam estabelecer e desenvolver
relacionamentos pessoais próximos e pertencer a grupos. Cultivam a
cordialidade e o afeto em suas relações e estimam o trabalho em equipe mais
do que o individual.
Finalmente, aqueles motivados pelo poder apreciam exercer influência sobre
as decisões e comportamentos dos outros, fazendo com que as pessoas atuem de
uma maneira diferente do convencional, utilizando-se da dominação (poder
institucional) ou do carisma (poder pessoal). Gostam de competir e vencer e
de estar no controle das situações.
Meu convite é para que você reflita, respondendo a si mesmo: onde me
encaixo? É provável que você goste de ter o controle, deseje realizar
coisas, tenha prazer em competir, estime cultivar relações pessoais. Mas
observe como há um padrão dominante. Se eu solicitar a uma plateia que todos
cruzem os braços, algumas pessoas colocarão o braço direito sobre o esquerdo
e vice-versa. Se eu solicitar que invertam estas posições, todos serão
capazes de fazê-lo, mas seguramente sentirão certo desconforto. Assim são as
preferências: tendemos a optar por alguns padrões. Você tem uma base
motivacional preponderante.
Teoria aplicada à prática
Em minha carreira como empreendedor e consultor, muitas vezes questionei-me
por qual razão certas organizações fracassavam. Deparei-me com modelos de
negócios fantásticos que não geravam resultados. Encontrei empresas
lucrativas que definhavam devido à incompatibilidade entre seus sócios.
Observei executivos talentosos, porém sem brilho nos olhos.
Hoje, à luz da Teoria de McClelland, passei a ter a visão menos turva.
Consigo compreender que para uma empresa lograr êxito é preciso a
praticidade e o foco de pessoas motivadas pela realização, a liderança e a
firmeza de indivíduos motivados pelo poder, a sinergia e empatia daqueles
motivados por afiliação.
Quando as empresas perceberem isso, será possível encontrarmos pessoas mais
felizes trabalhando pelo simples fato de estarem posicionadas nos lugares
corretos. Passarão a gostar do que fazem, pois poderão exercer suas
habilidades com plenitude.
Quando os empreendedores perceberem isso, será possível construir sociedades
mais estáveis formadas por pessoas que se complementam mais por suas
habilidades e anseios e menos por cultivarem apenas relações de amizade.
Teremos negócios mais sólidos, gerando mais empregos, sendo mais
autossustentáveis.
Quando as pessoas perceberem isso, será possível que passem a abrir mão da
necessidade de estarem certas –ou de alguém estar errado– sem abdicar de
suas próprias verdades filosóficas ou opiniões mais sensíveis. E passem, a
partir deste autoconhecimento, a fazer o que podem, com o que têm, onde
estiverem.
Tom Coelho e educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. E autor de «Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional», pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br .