Poesia de Sanio Aguiar Morgado
DICIONARIO - BEIJO PERDIDO - MINHA CASA - A JANELA
DICIONARIO
Palavras pouco significam
na ordem alfabética,
são frias como pedras e
parecem sem sentido.
Quando combinadas
salvam-se desta inércia,
passam a possuir vida e
têm mesmo raro brilho.
Nos versos possuem
conteúdos intensos,
a alegria ou tristeza de
uma emoção imensa.
Depois de usadas,
retornam a simples
sinónimos dos dicionários
e mais nada.
BEIJO PERDIDO
Aonde foi
que eu perdi
aquele teu beijo?
Foi num quarto
escuro, na casa de banho
ou num final de festa?
Procuro-o sempre,
dia a dia na minha vida,
e penso ainda achá-lo.
Não é um cordão de ouro,
nem uma pedra preciosa
ou um objecto qualquer.
Tem muito mais valor,
por isto procuro silencioso,
só com o meu coração.
E um beijo perdido de repente,
e como dói, faz tanto tempo.
Aonde foi que o perdi?
MINHA CASA
A casa que quero ter será
simples como um «atelier»,
poucas portas, janelas e espalhadas
por ela telas que nunca irei pintar.
Uma cozinha precisando arrumar,
vasos e objectos antigos para
decorar e pelos cantos brinquedos
para minha filha brincar.
A prancheta, livros de
poesias, alguns discos, papeis para
escrever e pelo chão os jornais
que não gosto de ler.
Animais e pássaros soltos,
muitas plantas e flores,
amigos e será maravilhoso
se existir uma grande mulher.
A JANELA
Esta janela quantas
vezes me engana,
traz um sussurrar alegre
e uma imagem boa.
Ela não me diz
que o tempo passou,
para mim debaixo dela
nada mudou.
As crianças brincam,
as folhas das árvores caem
e o vento…que foi longe,
já voltou.
A tarde escurece,
o silêncio é meu,
o vazio é meu,
ninguém ficou…
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