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Vou-me embora para uma qualquer Pasárgada
Por Afonso Santana
Na continuação do texto glosando o poema de Manuel Bandeira «Vou-me embora para Pasárgada» (ver número anterior e anteriores e este seguindo a sucessão) vou repetir que o titulo base do meu trabalho é «Vou -me embora».
Sobre o ir embora para Pasárgada, de Manuel (ou Manoel) Bandeira foram glosados, textos, poemas, canções, enfim...uma variedade e quantidade de trechos de praticamente todos os estilos que fizeram do poeminha (grande no tamanho) um verdadeiro caso de sucesso, inesperado, segundo o autor. Claro também que muitos dos textos que aqui tenho trazido não são necessariamente glosas directas e em rigor também se pode dizer que muitos dos textos (ou poemas) não têm uma ligação imediata à ideia de Manuel Bandeira e que alguns dos autores não terão sequer ouvido falar do Poema de Pasárgada ou mesmo de Manuel Bandeira.
Os poemas que se seguem a abaixo são o final desta série.
Trindade do Deus Me Livre - Neto Trindade*
Vou me embora vou me embora Vou sair desta cidade
Vou me embora vou me embora Vou morar lá na Trindade
Praia do Cepilho, o Rancho e a Praia do Meio
Aonde a lua lua nasce onde o sol é vermelho
Pedra dágua, pedra dágua, Caixadaço coisa rara
Pedra dágua, pedra dágua, Caixadaço coisa rara
Natureza e liberdade só existe na Trindade
A cidade é meu medo.
Natureza e liberdade só existe na Trindade
A cidade é meu medo.
Vou me embora vou me embora Vou sair desta cidade
Vou me embora vou me embora Vou morar lá na Trindade
Praia do Cepilho, o Rancho e a Praia do Meio
Aonde a lua lua nasce onde o sol é vermelho
Vou me embora vou me embora Vou sair desta cidade
Vou me embora vou me embora Vou morar lá na Trindade
Natureza e liberdade só existe na Trindade
A cidade é meu medo.
Natureza e liberdade só existe na Trindade
A cidade é meu medo.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
As vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
E pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Beira-Mar Novo :
Folclore do Vale do Jequtinhonha ]
beira-mar, beira-mar novo
foi só eu que cantei
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia
vou levando minha canoa
lá pro poço do pesqueiro
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia
arriscando minha vida
numa canoa furada
ô beira-mar, adeus dona,
adeus riacho de areia
adeus, adeus, toma adeus
que eu já vou me embora
eu morava no fundo d'água
não sei quando eu voltarei
eu sou canoeiro
eu não moro mais aqui
nem aqui quero morar
ô beira-mar, adeus dona,
adeus riacho de areia
moro na casca da lima
no caroço do juá
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia
adeus, adeus, toma adeus
que eu já vou me embora
eu morava no fundo d'água
não sei quando eu voltarei
eu sou canoeiro
rio abaixo, rio acima
tudo isso eu já andei
ô beira-mar, adeus dona,
adeus riacho de areia
procurando amor de longe
e perto eu já deixei
ô beira-mar, adeus dona,
adeus riacho de areia
adeus, adeus, toma adeus
que eu já vou me embora
eu morava no fundo d'água
não sei quando eu voltarei
eu sou canoeiro
beira-mar, beira-mar novo
foi só eu é que cantei
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia
ô beira-mar, adeus dona
adeus riacho de areia
Jean Boechat
Quando Eu Me Chamar Saudade
Nelson Cavaquinho
Composição: Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito
Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais