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COLUNA
DE ROSA PENA
Sem modéstia alguma!
Tenho pena da Dilma, da Marina, do Serra e de todos os candidatos. Eles não são usuários da Net, desconhecem a ternura virtual, não escrevem crônicas ou poemas, nunca fizeram parte de um grupo Yahoo, não possuem id, não sabem o que é ficar em individuais, o que é web e no final dos finalmentes não fizeram do carinho, respeito e amor os objetivos de suas campanhas. Tadinhos! Jamais conseguiriam parar Sampa e lotar uma Bienal. Foram mais de oitenta mil pessoas.
Respondam rápido, políticos ardilosos: Algum dia conseguiram engarrafar o
Anhembi com suas promessas, essas sim, virtuais? Como a pergunta é difícil
eu mesmo respondo. Não.
To falando sério! Foi todo mundo lá ver uma lua de papel, um arco-íris no
céu de um galpão fechado, orquídeas em profusão que nascem entre os cílios
da poesia, que piscam enamorados pela amizade selada num cartório divino
onde o escrivão é São Jorge.

Um frio de rachar e uma bendita estufa de afeto que nos protegeu do vento da
discórdia. Estou estufada de bem-querer!
Aspirantes a uma cadeira no palácio da Alvorada respondam para ganhar um
milhão sem precisar colocá-lo na cueca, na bolsa ou na conta de um laranja:
Já receberam crônicas, trovas, poemas e sonetos feitos sob medida para sua
alegria? Ta difícil de responder? Peçam auxílio às placas.
Carinho gostoso e sincero de quem nunca lhe viu e sempre lhe amou? Peçam as
cartas.
Amigos que saíram do sul, do Norte, nordeste, gastaram passagem e hospedagem
pra ganhar um beijo seu? Peçam aos universitários.
Comeram pizza gelada com uma temperatura ambiente de 7 graus e tiveram a
sensação térmica de 40 graus? Não peçam à ninguém. Jamais chegarão perto da
emoção que eu senti.
Nessa corrida eleitoral louca, quem ganhou fui eu. Ganhei todos os votos de
confiança que existem no planeta que só é azul para quem tem olhos para
senti-lo como habitat da Paz.
Paulo Sant’Ana tem o que dizer, visto que minha emoção e gratidão
calaram-me. *«Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido
todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!»
Bienal de São Paulo/ 2010
*Apesar de muito difundido na net, esse parágrafo não é do Vinicius de Moraes e sim de um texto do cronista gaúcho Paulo Sant'Ana, que o publicou em sua coluna no jornal Zero Hora e em seu livro O Gênio Idiota (Editora Mercado Aberto, 1992).