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Raizonline entrevista a cantora brasileira de Gospel, Telma Ellos
Por Arlete Piedade
Ver biografia da artista e seu percurso pessoal e artístico no inicio deste trabalho.
Olá Telma! O Raizonline agradece a tua disponibilidade para nos concederes esta entrevista e coloca-se ao dispor para te divulgar e promover o teu belo trabalho na música Gospel ou de louvor. Lemos a tua biografia disponível na Internet e ficámos muito curiosos tal como imaginamos que os nossos leitores também fiquem ao ler o que tens publicado sobre a tua vida e carreira. Por isso gostaríamos que nos esclarecesses sobre as seguintes questões:
Raizonline (RO):
Bem Telma desculpa a curiosidade mas conta-nos lá esse episódio de te teres embriagado e por isso teres sido expulsa do colégio de freiras. Que é o Licor de S. João?
Telma Ellos (T.E.) - Em primeiro lugar quero agradecer a querida Arlete
Piedade pelo apoio e ao jornal que desde já, promete muito sucesso!
Respondendo, digo que tinha 13 anos estava deitada na minha caminha as 14
horas da tarde no convento quando uma colega me chamou para acompanhá-la a
casa da vizinha e lá chegando ela nos serviu um licor, bebida feita com
cachaça e frutas que é oferecida de graça a quem quiser nas festas juninas
uma tradição da Bahia portanto chamada de festa de S. João.

Por ser uma bebida adocicada, quanto mais se bebe mais se quer e eu gostei, enchi a cara mesmo. Era inocente nunca havia bebido antes mas fui na onda da colega que era maior deveria ter uns 18 anos na época. Voltamos para o convento as freiras não nos viram sair nem chegar, não me aguentava em pé e deitei e fiquei tonta passando mal. Então devem ter chamado as freiras quando vi a Madre estava em minha frente me repreendendo e logo na mesma semana fui enviada de volta para casa e nunca mais bebi mas perdi a chance de estudar.
RO: Outro acontecimento da tua vida, ou seja o suicídio do teu pai, marcou-te e traumatizou-se bastante. Até que ponto este acontecimento teve influência na tua conversão á Igreja Evangélica?
TE: Na verdade eu estava com 15 anos quando isso aconteceu e já estava noiva sem querer pois minha mãe já havia arranjado noivo para mim um homem bem mais velho, mas meu Pai não me criara, não me reconheceu por questões de brigas entre eles e eu mesmo assim o admirava ele era o meu herói.
Morava próximo a minha casa eu o via todos os dias mas não conversava com ele, era muito fechado em si mesmo. Houve um problema com uma mulher e no quartel onde ele era sargento parece que seria exonerado do cargo. Para não ser humilhado suicidou-se e eu fiquei sem o pai que nunca tive mesmo.
Mesmo depois de casada forçosamente claro, fiquei vendo meu pai em todo lugar, até na cama onde eu dormia com o dito esposo, não poucas vezes acordei vendo seu rosto queimado na face do meu esposo e gritava assombrada.
Também tinha sonhos com ele vendo homens o arrastando para um fogo eterno ele me chamava e os homens diziam: ela não pode vir aqui. Fiquei internada numa clínica me tratando deprimida, e isso mais tarde me fez receber Jesus em minha vida mesmo.
RO: Vimos que formaste uma primeira banda mas segundo as tuas palavras, fraquejaste com Deus e erraste muito. Queres dar testemunho aos nossos leitores destes acontecimentos e como os conseguiste ultrapassar?
TE: Sim, eu já estava separada do marido e com 3 filhos, fui trabalhar e voltei a estudar, ele me tomou as duas meninas só fiquei com o menino e sofri muito. Por isso tentei também o suicídio.
Foi Deus quem me livrou e por esse motivo fui parar na igreja Evangélica.
Tempos depois realmente formei uma banda com meninos que estavam afastados
da igreja, eram filhos de pessoas evangélicas e as mães me apoiavam
oferecendo as casas para ensaiarmos eu era a cantora deles e eles tocavam.
Mas os meninos eram adolescentes e por ciúmes um jovem me chamou para cantar com ele fazendo dupla e eu sai da banda e descobri que o rapaz estava interessado em mim. Por isso quase fraquejei e com medo de errar mais uma vez fugi para o Rio de Janeiro tentando esquecer e me concertar com Deus. Deixei tudo para trás.
RO: Na sequencia destes problemas, foste para o Rio de Janeiro, onde te dedicaste a várias profissões para sobreviveres. Gostaria que nos falasses mais um pouco deste período da tua vida.
TE: Deixei meu filho com minha irmã e viajei para casa de outras irmãs que moravam no Rio, aí comecei a trabalhar como Camelô (Nota do Raizonline: Vendedora ambulante sem Licença).
Corria muito dos fiscais, porque eu trabalhava na pirataria não tinha como ser legalizada pois comprava os produtos ali mesmo no mercado. Vendi alho argentino, depois batons, balas e ia mudando o ramo.
Levava minha barraca nas costas e pegava o trem na central do Brasil.
Voltava á tarde com pouco dinheiro pois tinha que comer na rua. Aí minha
filha mais velha já estava adolescente e veio ao meu encontro no Rio viajou
com uma família foi emocionante para mim.

Depois ela voltou pra Bahia continuar os estudos e eu fiquei e os ajudava enviando material escolar e roupas que eu pedia as patroas, já que como camelô não pude continuar. Fui apresentada a uma senhora muito boa que me pagava para passar roupa e me dava o almoço.
Fiquei um bom tempo assim até que ela mesma me recomendou a uma professora para que eu trabalhasse num sitio. Eu na época pintava uns panos de copa e levava pra mostrar a ela e comprava em minha mão, quando a dona do sitio me pediu pra cozinhar. Gostou do meu tempero baiano e me contratou como cozinheira.
Lá também eu fazia artesanato e ela comprava e fazia propaganda dos meus famosos panos de copa pintados à mão e vendi até para família dela que veio da Itália. Levaram dúzias de panos para Itália.
Nesse interim eu disse á patroa que queria trazer meus filhos para cá e ela concordou e me deixou morar em seu sitio com meus filhos. Hoje tenho seis filhos e só tem 2 solteiros.
Continuo fazendo pano de copa com barras de croché, pinto paisagens e faço flores artesanais para decoração de festas e capas de cadeira para festas. O casamento da minha filha menor foi na minha igreja, fiz todas as flores e arrumação das mesas pois não tinha dinheiro para pagar buffet.
Apelei para a reciclagem e ficou muito belo gastei pouquinho usei a imaginação e com material bem baratinho graças a Deus.
RO : Telma, como voltaste para a Igreja Evangélica e formaste uma segunda banda na tua igreja? Gostaria que nos falasses um pouco desse tempo e das tuas motivações para te dedicares á música gospel.
TE: Voltei porque eu gostava de musica e já escrevia muitas e as guardava não tinha tempo para tocar, mas ia no igreja de quando em vez. Um dia minha irmã veio me visitar e me chamou para ir na igreja e fui com ela ali na cidade de Deus. O Pastor me chamou para tocar.
Fiquei indo sempre que podia e já tinha 2 filhos comigo depois foram vindo
os outros porque fui juntando dinheiro para mandar buscar meus filhos.
Passou um tempo eu ficava deprimida por isso e o primeiro que mandei buscar
foi o filho surdo, o quarto, que precisava estudar e o coloquei no Instituto
de Surdos.
Lá terminou o ensino médio e hoje trabalha mas não consegue cursar uma faculdade por ser surdo.
Mas quanto meu retorno à musica, minha filha menor começou a formar um grupo de crianças e ensaiava comigo. Eu tocava e pediu para eu liderar o grupo de juniores. Aceitei e compus musicas para cantarem na Igreja. Tempos depois chegaram uns jovens que me vendo tocar e cantar pediram-me para formarmos uma banda.
Aí comecei a segunda banda agora com jovens, conheci o meu esposo que convivo hoje aí nessa igreja ele toca o contrabaixo e ficamos assim por longo tempo com a banda. Fiz uma canção e coloquei o nome da banda Voz do Céu até o dia de hoje.
Mudei-me para outra Igreja. Meu filho deficiente auditivo começou a trabalhar e comprou um terreno e falou para meu esposo fazer uma casa para nós e cá estamos até hoje graças a Deus nos ajudou. Hoje lidero um ministério de Louvor na minha igreja e minha filha lidera um ministério de dança na Igreja .
RO : Fala-nos agora um pouco dos teus projectos na música. Já gravaste quantos CDs e os nomes deles? Como foi a aceitação dos mesmos? Que tipo de publico compra os teus CDs? São apenas os frequentadores da igreja e seguidores do evangelismo ou chegas a todos os tipos de público?
TE: Gravei o 1º cd a solo intitulado: «O Canto do Sabiá». E eclético tem um público variado desde o público infantil ao ancião, mas principalmente pessoas de outras religiões aceita, o CD e gostam porque tem música regional e que exalta a natureza.
Tem uma que tem como foco a desigualdade social e exalta a magnitude de Deus. Ainda não fiz o segundo e o terceiro CDs. Por falta de condições financeiras e porque preciso fazer o lançamento do primeiro. Música é o que não falta, pois cada dia Deus me inspira mais e mais no louvor.
Tenho o projeto de gravar um cd infantil porque tenho um publico infantil, e um cd para evangelizar pois tenho feito muito louvor que pessoas não evangélicas gostam de ouvir, e por fim um cd intitulado Raízes que seria todo voltado á minha origem. (Sertão da Bahia) e estariam incluídos os ritmos da terra como: baião, xote, forró, pe de serra e reggae. Tenho todas essa musicas esperando condições financeiras para gravar.
RO: Telma, sei que tens dificuldades em lançar os teus CDs. Queres falar-nos um pouco das tuas dificuldades e necessidades e fazer um apelo a quem achas que te pode ajudar, através do nosso jornal e rádio?
TE: Sim, tenho dificuldade financeira e um aluno meu foi quem pagou a remasterização do cd e agora estou esperando ele conseguir a quantia que me foi determinada pelo produtor que irá fazer a duplicação do CD que foi nada mais que: 2.670.00 reais.
Como não tenho cartão de credito não sei como pagar mas tudo bem, tenho uma
conta poupança e se alguém gostar de ajudar-me agradeço em nome de todos e
de Deus e ponho aqui o numero da conta poupança qualquer ajuda é valida
amem! E que Deus abençoe a todos e a você amiga e retribua cem vezes mais.
TELMA MELO
AGENCIA:0582-7
CONTA:1027954-2
BRADESCO
Nota: Veja também alguns trabalhos de artesanato de Telma Ellos aqui.
Vídeo de Telma cantando «Choveu no Deserto»
Raizonline: Telma por ultimo agradecemos-te a tua disponibilidade e convidamos-te a deixar uma mensagem através do nosso jornal, para todas as pessoas que lutam com dificuldades em especial os jovens, dando como exemplo as tuas próprias lutas e como as superaste. Um beijinho para ti e ficamos ao dispor.
Telma Ellos: Agradeço a todos em nome de Deus e quero dizer para pessoas que tem dificuldades e que tem que lutar muito para vencer. Nunca desista dos seus sonhos, nunca pare de lutar e ame bastante porque quando amamos o próximo e o ajudamos somos recompensados por Deus que nos amou primeiro.
Quanto aos jovens, diz o Senhor não eu: «Lembra-te do teu Criador em tua
mocidade», sejam obediente aos pais e por favor escolham bem a pessoa que
irá ser seu parceiro para o resto da vida, de contrário sofrerão como eu que
fiquei buscando o amor verdadeiro por muito tempo e por isso errei muito e
sofri, por não poder escolher a pessoa amada quando ainda era jovem.
Meu muito obrigada ao jornal e a todos os ouvintes e leitores.
Telma Ellos
Raizonline – Entrevista conduzida por Arlete Piedade.
Nota: As canções fornecidas por Telma Ellos estarão incorporadas na nossa rádio RAIZONLINE na lista de música brasileira : Telma Ellos - Jesus mudou meu deserto ; Telma Ellos - O Canto do sabiá (nova versão) ; Telma Ellos - Volta ao aprisco.