POESIA
DE ARLETE PIEDADE
Chamas; Nave do espaço; Utopia; Sonhos partilhados
Chamas
Línguas de fogo serpenteantes e gigantescas
Sobem lambendo copas de árvores impotentes
Rastejantes se insinuam, titânicas e dantescas
Consumindo vorazmente, em todas as frentes
O descuido criminoso do homem pelo ambiente
Cruel ganância de ganhos, imediatos e lucrativos
O desprezo pelas gerações futuras, são somente
Alguns dos evidentes e mais falados dos motivos
Mas não esqueçam esses covardes incendiários
Que ainda, mesmo neste mundo, são necessários
Tempo, oportunidade e do castigo não escaparão
Pois que se a justiça dos homens é ineficaz e lenta
Da de Deus, não se livrarão, e na sua alma a tormenta
Diariamente, lhe fará desejar a morte, como expiação.
Nave do espaço
Que belo planeta azul e luminoso, vejo além a vogar...
talvez seja o mesmo que nossos ancestrais visitaram!
Ficaram as lendas dos imensos mares e animais a lutar,
habitantes inteligentes, e a civilização a despontar!
Na atmosfera azul e profunda, brancas nuvens vogavam,
nas árvores frondosas, cresciam frutos e trinavam aves...
nos oceanos, seres aquáticos, as vagas alterosas cortavam,
com corpos vigorosos, de cores variadas e formas suaves.
Mas dizem os últimos relatórios recebidos dos guardiões,
que agora os habitantes já não respiram a plenos pulmões,
que o veneno, fumo, poluição, os conduzem á destruição...
Furacões em fúria, vidas destruídas, guerras, inundações,
seres em fúria destroem, apunhalam, matam, violações,
será que ainda há tempo de a tanto mal, colocar travão?
Utopia
Será utopia, este amor que me agita dia a dia?
Será quimera, esta ânsia, esta eterna espera?
Será ilusão, querer partilhar, tamanha paixão?
Será apenas na mente, que o amor se sente?
Ah..eu não sei não...mas o meu corpo tremente
se agita com sofreguidão, quando te pressente...
Em tamanho amor, contido com lágrimas e dor,
queria te poder amar, nem que fosse só pelo ar...
Queria te poder fazer sentir, como é bom amar,
como é bom sentir, fremente de emoção, calor,
paixão, ardente ânsia no coração de te acariciar!
Mas esta ansiedade tamanha, este amor contido,
esta ternura imensa, que de mim te faz querido,
este afecto, respeito, também habitam teu peito!
Então quimera, será? Utopia ou ilusão, quiçá...
sonho partilhado, revivido através da imensidão,
das madrugadas longas em insónia e paixão!
Sonhos partilhados
Hoje te esperarei, na noite quente
mas como sempre, não sei se tu virás
mas é tamanha esta saudade ardente
que suplico que o tempo volte atrás
queria para junto de ti, poder fugir
e fazer dos nossos sonhos, realidade
para poder ver-te, ir para aí, residir
pertinho de ti, algures nessa cidade
mas esses nossos desejos partilhados
esbarram em obstáculos que derrubados
outros seres inocentes, fariam sofrer
por isso os sonhos eternamente adiados
fazem de nós, sempre amantes desejados
e a realidade do amor, sempre por viver
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