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AUTOCINETRIP - CINEMA , RESENHAS E CRITICA
Encontro Explosivo
Analisando alguns fatos, o filme Encontro Explosivo traz sintomas de ser uma
bomba. Apesar de Patrick O’Neill ser creditado como roteirista, pelo menos mais
oito pessoas puseram suas mãos no texto, o que pode ter um desfecho desastroso.
Outro sinal de perigo é o fato de a produção ter regravações agendadas para
apenas sete semanas antes da estréia no circuito estadunidense. Esse tipo de
ajuste de última hora normalmente é feito como uma tentativa desesperada de
salvar o dinheiro investido em um título de baixa qualidade.
Mesmo com todos esses indícios, pode-se dizer que Encontro Explosivo corresponde
às expectativas e entrega o prometido. Trata-se de uma fita de ação com forte
apelo cômico, por isso que nomes como Chris Tucker, Adam Sandler, e Gerard
Butler foram cogitados para assumir o papel de protagonista. Como boa parte da
graça está na aparente insanidade de Roy Miller, ninguém melhor do que Tom
Cruise para assumir o personagem.
Cenas de ação com fugas impossíveis, resgates e perseguições automobilísticas
podem ser repetitivas. Uma saída inteligente explorada pelo filme está em usar
elipses nessas passagens, normalmente geradas pelo fato de June estar
desacordada e vermos as coisas do ponto de vista dela. Cabe ao espectador
completar as lacunas a seu bel-prazer.
Quem está esperando mais ação pode até se decepcionar, mas o aconselhável é se concentrar nas locações. Austria, Espanha, Jamaica e outros belos locais servem de cenário para o bem dos olhos do espectador

O Bem Amado
O cineasta Guel Arraes ganhou notabilidade com produções engraçadas que tinham o
Nordeste brasileiro como cenário. A história da peça O Bem Amado, que já foi
transformada em novela e seriado, parece algo irresistível para ele. Sem
pestanejar, Guel pegou o enredo e transformou em mais uma comédia nordestina.
Quando o diretor se une a uma história que parece tão certa para ele, os
exageros acabam estragando o que poderia ser um grande filme. Os sotaques
nordestinos de alguns atores são irregulares e as situações são forçadas pela
direção.
Por vezes, os atores estão um tom acima do que o desejável para a linguagem de
cinema, sendo mais atrativo para quem gosta do tom teatral. Quem consegue uma
regularidade maior em seu personagem é José Wilker, mas sua participação se dá
em poucas cenas.
Por outro lado, o casal formado por Maria Flor e Caio Blat está totalmente
descolado do restante do filme. A história de amor entre os dois poderia render
boas cenas, mas fica de fora.
Mesmo com suas falhas, O Bem Amado tem chances de sucesso junto ao público. Com
certeza se trata da obra mais fraca de Guel Arraes, sendo que seu último filme
Romance é um dos pontos altos de sua carreira.
