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Raizonline
entrevista o produtor e realizador cinematográfico Julião Silvão Tavares
(Cabo Verde)
Quem é Júlio Silvão Tavares (Julião Silvão) ?
Durante cerca de três anos teve um programa radiofónico, na então Rádio Nacional, hoje Rádio de Cabo Verde, denominado «ARTICULTURA» (1992). O objectivo do programa era divulgar a cultura tradicional e os seus promotores. A partir deste programa, foi contactado para realizar uma proposta idêntica na Televisão. Não havia na TV programas que divulgassem as tradições, os hábitos e costumes de Cabo Verde. Em 1993 começa a produzir e realizar o programa cultural «DRAGOEIRO», de periodicidade quinzenal que teve três anos de vida.
Actualmente, não está ligado à televisão nacional. Criou uma empresa de
Produção e Realização Cinematográfica, Silvão- Produção, Filmes, em 2004. Em
2005, realiza o seu primeiro filme documentário, o «Batuque, a Alma de um
Povo».
A «Silvão - Produção, Filmes» produziu e realizou um documentário de 24
minutos sobre a arte plástica cabo-verdiana, que já foi visto tanto na TCV
como na RTP Africa. Tem em projecto a produção de um filme que retrata a
história do Centro Prisional do Tarrafal a partir do assalto à mão armada do
navio «Pérola do Oceano», em Agosto de 1970, por alguns nacionalistas
cabo-verdianos para alcançarem a Guiné Bissau e tomarem parte na luta de
libertação.
Tem em preparação uma primeira longa-metragem. Um filme cuja sinopse já fez
parte da colectânea do Festival de FIICAV em São Paulo (Brasil), no ano
passado. O nome provisório do projecto foi «Triângulo Virgem», uma obra de
ficção, que retrata a fragilidade e inexperiência de Cabo Verde em termos de
segurança nos primeiros anos da independência, a ser utilizado como empório
de droga da América para Europa.
Tem em execução o projecto «Cinema Aberta» que é uma parceria da Produtora
Silvão - Produções, Filmes com o Centro Cultural Francês que tem como
propósito fazer mostra de filmes produzidos em Cabo Verde ou sobre Cabo
Verde por produtores e realizadores cabo-verdianos e estrangeiros. A mostra
é feita em ecrãs gigantes e em via pública, gratuitamente, em diferentes
povoados. Para além de ver filmes, a comunidade tem a oportunidade de ver e
analisar a sua vivência na sua localidade de sua residência, através de
imagens da própria residência recolhidas na antevéspera da mostra. Por este
facto, a comunidade é um cinéfilo participativo do Cinema Aberta.
Num país como Cabo Verde, conhecido pelas suas carências, as lacunas do
cinema cabo-verdiano vêm sendo preenchidas pela participação dos
realizadores cabo-verdianos em eventos internacionais como Africadoc e
Cineport. A Silvão Produções tem três projectos na forja. O documentário
«UNIDOS PELA MESMA CAUSA» que retrata a história do centro prisional do
tarrafal, contada através do assalto a mão armada do navio Pérola do Oceano
em Agosto de 1970. A história é narrada pelos personagens na primeira
pessoa, tendo no centro um personagem pivot que liga os restantes.
A «Silvão - Produção Filmes» promoveu em Abril último, em parceria com o
brasileiro Centro de Ensino Cinematográfico de Minas Gerais, do Ministério
da Cultura de Cabo Verde e algumas instituições nacionais, uma formação de
sensibilização para a área cinematográfica. Tratou-se da primeira parceria
entre instituições da sociedade civil na área do cinema em Cabo Verde.
Julião Silvão considera que a vertente em que os realizadores cabo-verdianos
devem apostar mais é a do Documentário. Foi júri do II Cineport (Festival de
Cinema de Países de Língua Portuguesa ).

Julio Silvão Tavares (Julião Silvão) aqui com o nosso colaborador em Cabo Verde João Furtado
Veja a Entrevista na Página seguinte.