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POESIA
DE JOÃO FURTADO
(Homenagem a António Feio)

Tão novo partiste
Tão novo partiste para o paraíso morar
E lá foste, com todo o teu humor…
Foi por causa do maldito tumor
Sabes, adoro rir e você me fez chorar!
Te conheci na minha televisão
Sentado a longa distância
Rindo da tua exuberância…
Da tua morte falou-me a televisão!
De quem irei ouvir «conversas de tretas»
Se resolveste partir António Feio
E o circulo normal, que remédio?
A vida e a morte são sempre certas!
Resta te desejar Paz eterna
E esperar que vivas na tua arte
Que o Mundo recebeu a tua parte
E deixou-te partir para a luz serena!
João Furtado
Praia 04 de Agosto de 2010
PARDAL AUSENTE
Meu Pardal meu especial confidente
Para onde tu meu grande amigo foste
Tantas lamúrias, tantas más novas deste
E sem mais nem menos desapareceste,
Sabias que até fiquei muito contente
Contigo, meu grande amigo, ausente?
Logo pensei que a harmonia fez-se presente...
Puro engano, vã esperança, ... Os acidentes
Continuam acontecendo e... A humana mente
Engendrando maldades e destruições diariamente
A diferença foi, te digo Pardal, (in)felizmente
Eu me tornar do «País das Maravilhas» residente
Porque te perdi, tu meu grande informante!
João Furtado
MEU PARDAL MADRUGADOR
Meu Pardal madrugador
De onde vens tão barulhento
E porque estás tão cheio de alento
E ignorando a minha tamanha dor…
Pardal se no silêncio quedo neste assento
Cheio de saudades dos que partiram e triste
Os meus olhos choram… Tu não sentiste…
Pardal vai deixa que só fique neste aposento!
Pardal para de chilrar e vai-te, tu não desistes?
Dá-me um pouco, mínimo, ínfimo de sossego
Deixa-me viver na mágoa em que me entrego
Alheio ao mundo e tudo em que consiste!
Que me importa se aumento o desemprego
Na antiga Europa, a nova «El dourado»
De nós os Africanos, todos desesperados
Ilegalizados e espancados… eu, o meu ego…
Dizes que imagens dos bebes arrastados
E também suas mães por policias na França
Está a matar toda a esperada esperança
Dos direitos humanos desejados…
E que continua a haver matança
Canibal no oriente médio
E que o ser humano cria ódio
E existe cada vez mais vingança…
Pardal, isto vem desde tempo primórdio
O homem sempre foi do homem predador
Deixa-te de queixar… mesmo com todo ardor
Nas palavras por ti posta não alterara o meu princípio!
Continuarei cá com a minha dor
Não aumentarei nela nem uma gota
Que muita alta é a minha quota
De sofrer por mim e por meu amor!
João Furtado