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EU
POR MIM MESMA
Por Meg Klopper
O que fazer para encantar as noites de silêncio em que sonho acordada? O que fazer para transformar o vazio em momentos de alegria e paz? São pensamentos que vem e vão seguindo a linha do tempo. Uns vão para trás, outros seguem para o futuro, enquanto alguns ficam presos ao presente.
Sigo à vida teclando, pensando, sonhando acordada, estudando, pesquisando, rimando vez ou outra, enfim, poetando e «Juntando Letras» com toda emoção que meu coração permite.
Lamento por muitas coisas que passei e pelas que deixei de fazer. Mesmo com
meu lado cético alucinante, creio em tudo e desacredito do nada. Me pego
sempre em orações.
Outro dia, por incrível que pareça, devido ao meu estado de ansiedade,
consegui meditar. Foi mágico!
Consegui levar meu pensamento ao céu, à natureza... Molhei meus cabelos nas
santas águas de uma linda cachoeira e pisei na areia molhada de uma praia
com água límpida, azul, transparente. Por ali eu pude visualizar gaivotas e
a «biruta» balançando, cheia de si, solta e enfunada, soprando para indicar
a direcção do vento.
O vento maluco empurrava a biruta...
Percebi que de tanto meditar de encontro ao vento, minha cabeça estava tal qual um redemoinho passeando por vários lugares em questões de segundo. Parecia um carrossel em que eu corria, mas retornava calmamente ao encontro do meu corpo. Saia do etéreo e voltava para o meu lugar, prendendo-me a vida que DEUS me deu.
Pena que eu não vi DEUS, mas pude senti-lo forte junto a mim.
Assim, em paz comigo mesma, comecei a pensar nas pessoas que, eu penso, «me fizeram mal». Talvez tenham feito, mas talvez não. Isso depende muito do ponto de vista da razão, porque sempre achamos que a razão é nossa.
Então, para não ficar mal com minha consciência, preferi perdoar primeiro a mim mesma, para depois perdoar todas as pessoas que estavam em meu pensamento e que me aborreceram um dia. Se elas tiveram culpa, não sei ao certo. Eu também posso tê-las provocado, ou não ter lutado, ou deixado ficar de qualquer jeito, enfim, não quero conjecturas.
Decidi perdoar todas as pessoas, pedir a Deus por suas almas, pela luz de seus pensamentos e para que elas, se estiverem erradas, pensem melhor e também se perdoem. Espero que se doem mais, sejam menos egoístas, sejam mais correctas, sejam felizes com suas escolhas e que, principalmente, saibam caminhar pelas pedras evitando pisar em seus semelhantes para cortarem caminho.
POEMA
MINHA TERRA
«Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá»...
Não, não vou continuar!
Os versos começados tem dono.
São do poeta maranhense Gonçalves Dias,
escritos em Coimbra, no além-mar.
Também em Portugal, ele sentiu saudade.
E com o seu poema, falou a verdade.
Ah, como dói estar fora de nossa terra!
Por sonhos, buscas, quimeras...
Delírios, talvez.
Vim, mas quero voltar.
Minha terra tem cor, sabor, cheiro,
batuque, balanço, swing, samba,
matas e florestas onde cantam sabiás.
Tem gente humilde, sorridente, contente.
Existe tristeza, pobreza, violência,
mas faço parte desse povo, dessa gente.
De qualquer maneira, me perdoe o poeta,
pois usarei mais dois versos de sua poesia,
que exprimem meu ser e o que me faz chorar:
«Não permita DEUS que eu morra
Sem que eu volte para lá».
Aveiro/Portugal, 23 de Julho de 2010.
MEG KLOPPER