POESIA
DE ARLETE PIEDADE
Anseios
Brilha lá fora na manhã, o sol ardente
E aqui o silencio prenhe de significados
Na mente inquietos se agitam os sonhos
Que arquitectámos juntos na madrugada
Para a vida ser vivida precisa ser sonhada
Projectos concebidos em anseios dolentes
Anos acumulados em frustrações vazias
De vida só acontecida na imaginação
Ocasos e amanheceres somados
Em dias, e tempos já passados
Inquieta a alma se agita e se acalma
Pressente, deseja, se atormenta
Desistências acumuladas no passado
Tantas urgências que não frutificaram
Tanta felicidade ansiada e não vivida
E a ternura escondida sempre á espera
Dizer-te que te encontrei agora e é tarde
Que os corpos já estão gastos e cansados
Que os cabelos embranqueceram e caíram
Que no coração, o amor já não cresce mais?
Mas se na alma inquieta a vida ainda existe
Se nos corpos, o sangue ainda circula quente
Se na mente, os sonhos ainda crescem
Se a imaginação ainda constrói devaneios
Se o desejo ainda nos faz ferver de paixão
Então amor? Vamos ainda viver esta união?
Dizer-te os meus mais secretos anseios
De viver ainda os anos restantes a teu lado
Longas conversas de cumplicidades feitas
Silêncios compartilhados nas madrugadas
Saber-te, conhecer como sentes e desejas
Vivermos cada dia como se fosse o ultimo
Aproveitar ao máximo cada instante pleno
Entregar-me como se fosse a ultima vez
Com intensidade, ternura e muita paixão
Com carinho, amizade e compreensão
Com a sintonia que tudo sabe e pressente
Unidos os dois corpos, alma e mente
Amar-te até nas pequenas coisas
Corriqueiras e quotidianas sem valor
Aparentemente pelo menos
Mas cheias de significado na ausência
Queria-te assim, sempre comigo
Cuidar-te, amar-te, perdoar-te
Compreender-te, mimar-te
Seres meu e eu ser toda tua
Até ao ultimo dia das nossas vidas
Arlete Piedade
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