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A «Impossível», o segredo afrodisíaco e ancestral do Ypioca.

Por Se Gyn
Apareceu um feridão meio doido e, não deu outra: caí na estrada, baixando pra terrinha, em busca de descanso e, a intenção de rever família e amigos.
No domingo, fui até a casa de um primo, pra convidá-lo para uma escapada,
até o rancho do Cabo. Ele topou e, então resolvemos levar umas cervejas, pra
encarar o tempo de calor e secura. Fui pegar as cervejas na geladeira e,
deparei com uma garrafa pet de dois litros, com uns pedaços de caule, dentro
de um líquido meio laranja.
Perguntei a ele, então, pra que era aquela garrafada. Ele veio de lá, e me
estendeu a garrafa, perguntando com um olhar de incredulidade, se eu ainda
não havia visto uma garrafada da «impossível»...
Ah, a lendária «impossível» - uma planta misteriosa da região que, tem,
segundo aqueles que a experimentaram, um estupendo efeito afrodisíaco e, da
qual, somente o nosso amigo Jerônimo, apelidado Ypioca, conhecia, por ter
recebido do pai, Maurílio, aquele segredo de alegria, afirmação e
rejuvenescimento masculino.
Dos filhos do velho Maurílio (que era um tipo de traços típicos de quem
tinha na descendência, traços do sangue caiapó e, que tinha fama, talvez
injusta de... tarado, justamente por conta de alardear o consumo da
misterioso tônico sexual e da constante prática de assédio feminino),
somente Jerônimo permaneceu na terrinha e, foi o único que que herdou do pai
o conhecimento do segredo e, mantém a tradição avoenga - isto é, o consumo
da beberagem resultante do libertação da tintura do caule da planta na água,
cujo efeito era tornar impossível o fracasso do homem na hora do amor (todas
as viagens de Jerônimo à capital, para demoradas visitas à namorada são
precedidas de pelo menos uma semana de consumo pontual e adequado daquele
caldo).
Mas, ganhar uns pedaços de caule de «Impossível» do Ypioca, é coisa difícil,
um privilégio, do qual somente gozam os amigos mais chegados, que dividem
com ele o gosto pelas pescarias, ocasiões em que, costuma aparecer,
inopinadamente, vindo do mato, trazendo os pedaços da caule da venerada
planta, que corta e reparte com os presentes, que por sua vez, repassa uns
pedacinhos da lenhazinha para outros afortunados amigos.
Quando alguém pergunta, entretanto, como se identifica o vegetal,
desconversa, diz que ela é rara e, de difícil e identificação e, vai parando
por aí, deixando nas frases, a cortina de mistério e reserva em torno do
assunto.
Depois que tive nas mãos a tal da garrafada, entretanto, me lembrei de
muitas garrafadas semelhantes que vi na casa de amigos e parentes, um dos
quais, me lembro, dizia que aquilo era remédio para gastrite ou inflamação
dos rins, o que me leva a concluir que o seu consumo contumaz é bem mais
acentuado do que imaginava...
Pois bem, quando meu primo Drela me estendeu o copo, não tive dúvidas e, não
pensei duas vezes, em bebê-lo, para experimentar o milagroso tônico, ao qual
se atribui, na região, o fantástico incremento das atividades lúdico -
reprodutivas e, ingressar, enfim, naquele culto meio segredoso em torno da
planta milagrosa e seus efeitos - imaginários ou, práticos.
Cheirei e tinha odor de madeira verde cortada. Provei e, achei o gosto meio
amargo, adstringente e oleoso, algo perfeitamente assimilável, tendo em
vista a finalidade. Meu primo disse, porém, esfriando minhas expectativas,
que o efeito só poder ser sentido depois de uma semana de consumo mais, ou
menos, mas que, a coisa é fenomenal e por ele mesmo comprovada. De efeito
prático, acabei experimentando somente um discreto incremento das funções
diuréticas.
Agora, ando pensando em solicitar ao Ypioca uns pedacinhos de tronco da
curiosa planta, apenas para experimentar os decantados efeitos e, saciar
minha curiosidade intelectual, naturalmente.
Se Gyn