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Poesia de Arlete Deretti Fernandes
Poema Murmúrios do coração - Poema A Natureza - Ciclo inexorável : Dueto; Arlete Brasil Deretti Fernandes e Hildebrando Menezes.
Murmúrios do coração
Tristes como a voz dos mares,
As nuvens pelo espaço deslizam
E os barcos galopando as ondas
Cavalgam ao rumor dos ares.
Saem sons de prazer da minha lira
Que canta a gemer tuas carícias.
Como se fosse orvalho sobre as rosas
Eu me entrego às coisas deleitosas.
Imagino-me a colher flores do campo
Para enfeitar os vasos e sentir perfume
Como uma borboleta que num cravo posa.
Guardam-se escondidos todos os meus beijos
Em teu corpo escondem-se meus desejos,
Enquanto ouço um murmúrio, quase um suspiro.
A Natureza
Os raios de sol acordaram-me ao penetrar docemente pela veneziana.
As folhas verdes e o perfume do rosmaninho, trazidos pelo vento,
Beijaram com suavidade meu rosto na linda e faceira manhã.
A trepadeira de flores rosadas entrelaçou suas gavinhas na grade.
A casa é como um castelo que nossa vida preencheu de histórias.
Sou grata por tua bondade, que é igual aos perfumados cachos maduros
Das uvas que baloiçam nas parreiras e o vinho que descansa na adega.
As abelhas zumbem no doce e suculento sugar do mel nas plantas.
Os patos de Pequim, no meio das plantações de arroz, como bolas
Emplumadas muito alvas, alimentam-se das sementes inúteis.
E as arrozeiras aguardam as chuvas para explodir a fertilidade do grão.
Sapos, pererecas, insetos, todos fazem sua cantoria e muita festa.
Um imenso compasso traça as medidas e as distancias, de perfeitas
Geometrias que sobem do vale às montanhas cobertas de vegetação,
Entrelaçadas de bromélias junto aos palmiteiros e ao cantar das aves.
E os campos de girassóis se estendem copiosamente ao nosso olhar.
Ciclo inexorável
Dueto: Arlete Brasil Deretti Fernandes e Hildebrando Menezes.
Arlete: Sinto-me cercada de todos os mistérios,
da essência de todas as vidas
da existência universal.
Hilde: Talvez resida aí a intensidade
com que percebo a profundidade de teus textos e a
Generosidade com que lidas com as pessoas.
Arlete: Observo a perfeição da Natureza,
o nascer luminoso de mais uma manhã,
o formato geométrico de um favo de mel.
Hilde: Todas as almas possuem este poder,
de estar em contato com a Natureza e sua
Fascinante biodiversidade...
Do mais simples ao mais complexo
de seus elementos constitutivos.
Arlete: No relógio do tempo a ampulheta segue
devagar, mas inexorável como a lei que marca.
Enquanto isto passam lentos ou rápidos os dias.
Hilde: Tempo e espaço desaparecem quando
estamos em contato com o Universo,
porque é como se estivéssemos enxertados
Ao coração do Criador.
Arlete: Nem todos tem inquietudes,
mas eu as tenho, e por isso, nestes ciclos
permanentes revejo minha bagagem e o meu papel.
Hilde: E é justamente aí que o Criador nos solta
do seu colo, para observarmos como criaturas
Humanas, o quanto temos que apreender e
a valorizar, mesmo pelas inquietudes a
perfeição desejada, da qual a reflexão
é o elemento condutor.
Arlete: Que terei para levar neste trajeto sem fim?
- A alegria de viver?
A gratidão por tantas bênçãos?
A depuração no sofrer? Tudo isto e muito mais.
Hilde: Sim! E o somatório do que
conseguimos viver e sentir no curso
de nossa existência. É a herança que trazemos,
Construímos e polimos no relacionamento
com o mundo e com os outros seres.
Arlete: Meus amores, amigos, afetos,
lições e aprendizagens.
Sonhos concretizados, outros frustrados.
Sei que em todas estas andanças
fiz a minha parte, chorei, sorri e aprendí.
Hilde: É o conjunto do que conseguimos
viver, sentir e realizar no curso de nossos dias.
Aqui está o testamento de que muitos podem atingir.
Arlete: O que ainda me for permitido, eu vivo, viverei e viví.
Hilde: E o mais gostoso disto tudo é que muito ainda há por viver!
Dueto: Arlete Brasil Deretti Fernandes e Hildebrando Menezes.
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiastranscendentais/2367697
http://muraldosescritores.ning.com/group/duetos