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TRABALHOS DE ILONA BASTOS

 

Ilona Bastos foi lida
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Ilona Bastos - Dados Biográficos

Poemas de Ilona Bastos - Incompletude - silêncio - Oração

Prosas e Poéticas - Por Ilona Bastos - Olhares, Quando te abrigavas no meu ventre; Acerco-me da janela e fico a observar a chuva a bater.

Poemas de Ilona Bastos - OUTUBRO , Primeira Chuva de Outono

Prosas e Poéticas - Por Ilona Barros - Olhares, Oração (Poema), É difícil, sim (prosa poética)

Poemas de Ilona Bastos - A Vinha e a Esperança - A Chuva - Os Balanços do Vendaval

QUANDO SONHAMOS! Poema de Ilona Bastos

Série Fauna & Flora: FIDELIDADE - Conto / Crónica - Ilona Bastos

A GIRAFA E A FORMIGA- Conto Infantil de de Ilona Bastos

PASSEIO PELO BOSQUE , Conto Infantil , por Ilona Bastos

Prosas e Poéticas - Por Ilona Bastos - Olhares - Silêncio (Poema) - Joe Hisaishi - Arirang (Música)

Poemas de Ilona Bastos  - O JARDIM , E se eu largasse o meu olhar ?

Prosas Poéticas - Por Ilona Bastos - Olhares

Poemas de Ilona Bastos - Sonhos Coloridos - No Rossio Eram Gaivotas

A MARIA SABE? A MARIA NAO SABE? (Poema)- Ilona Bastos

Depois, foi a visão do teu corpo longo...Poema de Ilona Bastos

O MUNDO DO AVESSO - Poema de Ilona Bastos

Verdade - Poema / Prosa Poética de Ilona Bastos

Fauna & Flora: A observação dos pássaros - Pardais - Por Ilona Bastos

A Batata Frita Aventureira, Conto Infantil de Ilona Bastos

O Ritual do café, Poema de Ilona Bastos

Poemas de Ilona Bastos - QUANDO SONHAMOS ! - Jacarandás - Não estás sozinho

Poemas de Ilona Bastos - O Mundo é enorme - O FOGO E O VENTO

Poemas de Ilona Bastos - BAILADOS DE GAIVOTAS - A ESTA HORA NAO CHILREIAM OS PASSAROS

Poesia e prosa poética de Ilona Bastos - ECOS (Poema); PROSA (Poética)

Poética de Ilona Bastos - A ESCRITA EM MIM; FELICIDADE; PINTURAS FOTOGRAFICAS; ESCREVER OU NAO ESCREVER

As citações de Ilona Bastos - Citações retiradas do Blogue Da Matéria das Estrelas de Ilona Bastos

Poética de Ilona Bastos - O JARDIM; Ando por lá!

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Poesia e Prosa de Ilona Bastos

 

Primeira Chuva de Outono

No Rossio Eram Gaivotas

.
.
do naquele mar belíssimo, era mais do que um mero vendedor, era um ilusionista, um mimo, um actor.

. Na rua em granito, as pedras brilhantes
e as folhas, em suaves descidas
das árvores molhadas,
amarelas, castanhas, douradas…

Nos veios de terra já surgem, pujantes
tão tenras, as plantas agora nascidas
são verdes, bordadas,
vidas renovadas.

Mas como?
Se ontem mesmo as não vi!
Foi a chuva que as trouxe, de presente, para ti.



Ilona Bastos


Lisboa, 7 de Outubro de 2008

 



São os pombos, os melros e os pardais
os velhos, os novos e outras gentes
as flores, as bancas e os jornais
as fontes e seus jorros transparentes
as lojas, os cafés, as esplanadas
os turistas, os apressados, os indolentes
os gritos, os sussurros, as risadas
as verdes copas e as castanhas quentes

Porque assim é e sempre foi
na realidade...

Mas neste início de uma tarde calma
azul o céu, brilhante o sol, sereno o ar
tudo em redor ganhou uma nova alma
pois no Rossio eram gaivotas a voar.

Ilona Bastos

 

E se eu largasse o meu olhar ?

 

Oração



E se o deixasse percorrer o mar imenso,
Lançar-se, livre, no céu infinito,
Cavalgar pela planície, até ao horizonte?

E se o meu olhar tudo abarcasse
(A humanidade, a fauna, a flora!)
E nele guardasse toda a criação?

E se o meu olhar fosse microscópico
E distinguisse o grão, a gota, a bactéria?

E se o meu olhar fosse macroscópico,
E nele coubessem todas as estrelas e as galáxias?

E se visse o invisível, e, para si, as ondas,
Os aromas e os sons mostrassem cores
E formas dos outros desconhecidas?

E se eu seguisse o meu olhar, e com ele...

Nadasse os oceanos, tal um golfinho,
Voasse pelo azul, como gaivota,
Ganhasse velocidade sobre a pradaria?
(Cavalo selvagem, outrora detido, agora liberto…)

E se tudo soubesse do que via
E a razão de tudo se revelasse?

E se atingisse a molécula, o átomo, o quark,
A mais ínfima partícula, e entendesse
Do que é construído, afinal, o Universo?

E se o meu olhar e eu fossemos o mais longe
que é possível ir, e regressássemos
o mais depressa que é possível vir, para contar?

Que encontraríamos e saberíamos,
Que contaríamos, eu e o meu olhar?

 



Neste dia vou dizer mil palavras.
Palavras de júbilo ou de tristeza,
Palavras de ira ou de comoção,
Substantivos aos centos,
Pronomes sem conta,
Adjectivos à discrição,
Preposições simples e compostas.

Neste dia sair-me-ão da boca
Expressões que nem conheço como minhas.
Vou ser sisuda no discurso,
Ou irónica no comentário.
Vou gritar chamamentos,
Laconicamente concordar,
Ou irromper em desabafos.

Que dessas mil palavras
Sejam duas dezenas das que valem,
Das que sabemos ser puras,
Das que garantem ser sãs,
Das que pronunciamos com candura,
Das que se erguem ao alto,
Numa oração ao Senhor!

O vendedor de laranjas

Jacarandás

 

Naquele final de tarde de Verão percebi que o velho homem das laranjas, mais do que vida, era arte pura. Era pintura, de certeza, à luminosidade dourada do sol poente. Era bailado, era mímica. Era poema, era cinema por certo. Era até conto completo ou romance verdadeiro.

Naquele final de tarde de Verão, igual aos demais finais de tarde em que avistara o homem das laranjas, pareceu-me que ele era mais do que o habitual vendedor de fruta, debruçado, escolhendo, enchendo os sacos das laranjas e tangerinas e estendendo-os aos compradores, todos de braços erguidos para receber os frutos brilhantes, para entregar uma nota, para agarrar o troco, para cumprimentar.

Naquele final de tarde de Verão, os turistas que passeavam na calçada aproximavam-se do homem das laranjas na sua camioneta aberta, repleta de caixas com laranjas e tangerinas, e o homem, mergulha Naquele final de tarde de Verão, na sua camisa aos quadrados, com o boné de fazenda na cabeça, o vendedor de laranjas erguia o corpo e o olhar, as mãos cheias dos redondos e sumarentos frutos, e atirava-os certeiros às mãos das crianças passantes, da senhora sozinha, do casal de namorados, do senhor idoso de gesto digno e calças impecáveis, às mãos abertas dos passageiros de cada uma das carruagens do comboiozinho de veraneantes que, lento, rodava perto - e assim, do homem das laranjas partiam visíveis ondas de alegria, que estampavam sorrisos em todas as faces.

Naquele final de tarde de Verão, o vendedor das laranjas distribuía fruta e ternura, e chamava de longe os banhistas cansados da subida pelas arribas, ainda cobertos da areia macia que lhes salpicava as roupas, as toalhas de praia, as bóias e os colchões cheios de ar.

Naquele final de tarde de Verão, ali mesmo, junto ao mar, ao som de uma flauta escondida pelas árvores, rostos felizes acorriam às varandas, dos prédios saíam pés ligeiros, pela calçada, mãos leves descascavam laranjas, e lábios sorridentes acolhiam os seus gomos generosos - numa sequência perfeita, com iluminação magnífica e definição divinal.

Naquele final de tarde de Verão, o velho vendedor de laranjas era estrela de cinema, era anjo, maestro, bailarino, mimo, poeta, personagem de romance. Era vida. Mais do que isso – era arte pura!
.
.
Praia da Rocha, Julho de 2004

A rua, salpicada em tons de lilás, não é normal!
Não é comum, este colorido, em pincelada larga!
É paisagem de quadro impressionista:
Pinceladas lilases pela calçada branca rotineira;
Pinceladas junto aos círculos, quase perfeitos,
de terra, que o lancil abraça;
Pinceladas sobre as sardinheiras vermelhas
e os tejadilhos dos automóveis
(vejam o escândalo das pinceladas lilases
nos carros encostados ao passeio!);
Pinceladas estampadas no alcatrão negro da avenida!
Tudo, tudo desrespeitosamente, sonantemente, lilás!
Mas não de uma forma ténue, suave, discreta... Não!
Pinceladas audaciosas, numerosas, densas, afrontosas,
que acordam, que indignam, que se impõem!
Vejam a imagem desta tarde citadina,
como se de uma tela se tratasse!
Vejam os fatos cinzentos dos executivos,
surpreendentemente pintados de lilás!
Vejam o cão, preso a um dono, atado a uma trela,
espantados, retocados a lilás!
E os pombos, em pequenos passos pela pintura,
voando no meio de tão lilás incongruência!

Avanço, deliciada!
Deixo-me envolver, também eu, na Magia
e na Arte desta Primavera radiante,
que se desvenda, vibrante,
ao tornear de uma esquina.
Deixo-me cobrir de pétalas maravilhosas,
destas flores lilases que os jacarandás
negligentemente espargem sobre a cidade.

 

 

 

Ilona Bastos

Dados Biográficos

 

Ilona Bastos nasceu em 1959, na cidade de S. Paulo, Brasil.

Frequentou o Curso de Formação de Professores da primeira à quarta série do primeiro grau, no Rio de Janeiro.

Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1983.

Exerce advocacia em Lisboa.

Escreve poesia, contos, crónicas, e também histórias infantis.

Principais Publicações:

Participações com poemas, contos, prosa pética e crónicas, designadamente: