TRABALHOS DE CONCEIÇÃO BERNARDINO

Conceição Bernardino (Ver biografia completa)

POESIA de Conceição Bernardino - Na rua onde dormito

Ramos Malignos - Poema de Conceição Bernardino

Lamento de uma guitarra - Poema de Conceição Bernardino

Linhas incertas - Poema de Conceição Bernardino

 

 

 

 

 

BIOGRAFIA

 

Minha Biografia


Nascida na cidade do Porto, em 1969, Conceição Bernardino cedo conhece o pão ganho pelas suas mãos, começando a trabalhar aos 14 anos.

Vai, então, coleccionando profissão atrás de profissão, assim como experiência de saber fazer, até que encaminha os seus destinos para uma profissão desejada – Técnica de Contabilidade –, tendo completado, em 2000, o Curso Técnico de Contabilidade na escola Secundária Filipa de Vilhena, no ensino nocturno.

Olhando, agora, o futuro de frente, ingressa, em 2001, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP), no curso de Contabilidade e Administração.

Entretanto, ainda muito jovem, descobre na poesia a sua maior confidente, com a qual partilha sorrisos e lágrimas. Aprende rapidamente a crescer e a entregar-se ao mundo das palavras, às quais não ousa dar som, fechadas numa gaveta só sua. Entrega-se, pois, à escrita como «alguém que vai eternizar a vida à sombra das árvores, aprendendo a ouvir os que sofrem nos murmúrios das fontes».

Por fim, decide abrir a gaveta, ao editar, em 2007, o seu primeiro livro de poesia Alma Poética.

Segue-se a voragem da liberdade sob a recém-descoberta luz da letra impressa, participando em várias antologias: Luso-Poemas 2006, editado em 2007, Poiseis – Vol. XV (2007), Nas Águas do Verso (2008), A Arte Pela Escrita (2008), Luso-Poemas 2007 (2008), II Antologia de Poetas Lusófonos (2008), Aurora dos Poetas (2009), A Arte Pela Escrita Dois (2009), Tu cá, Tu lá (2009) e Trago-te um sonho nas mãos (2009).

Ainda neste ano, publica o seu segundo livro Linhas Incertas, pela Mosaico de Palavras Editora.

 

 

 

 

 

 

   

POESIA DE CONCEIÇÃO BERNARDINO

 

Horas vazias

lajes lascadas…


Rastejo no ventre de minha mãe

num impasse,

quero voltar a nascer

sem trazer comigo

as dores

do parto.

Quero voltar a morrer com a mesma força

com que nasço,

sem levar comigo

o nojo

em que me estilhaço.


Sinto medo do próprio medo

que guardo em lembretes

nas minhas mãos calejadas.


Procuro-me nos grãos de areia

que esmago entre os dedos,

quero saber

se a algum deles eu pertenço

ou se os confundo

porque já não me reconheço.


Na rua onde eu moro

já lá não mora mais ninguém.

Porque choram os meus olhos?

Se o choro da criança

já se calou também

numa pedra de xisto preta,

em lajes lascadas…

…as mesmas,

com que me agasalho agora.

 

 

 

…dóceis como ópio

 


não me negues o olhar

agora que já não te consigo ver

os sentidos perderam-se na boca do inferno

na língua de cadáveres esfomeados

penosamente, dóceis como ópio

não rasgues o céu que não te pertence

no brilho que refutas com inglórias

de tudo, que já não te é semelhante,

guarda o fato preto, abutre!

encharca-o de naftalina

quando eu morrer serei as cinzas da tua cegueira,

na garganta do meu silêncio guardarei

os nós do arame farpado dos teus gritos