
Cynthia Kremer
Nota Biográfica
Cynthia Kremer nasceu em 11 de julho, em Hannover, Alemanha. Tem, também, a
cidadania Brasileira, por ser filha de mãe brasileira. Veio para o Brasil
ainda bem pequena, quando seu pai foi convidado a lecionar Geologia na UFRJ,
e no Rio de Janeiro se estabeleceu em definitivo.
Por influência do pai, sempre gostou de ler, embora o interesse pela
escrita, pela poesia, tenha começado a influenciá-la através de um grande
amigo, aos 14 anos. Aos 18 ingressou na Faculdade de letras da UCP, embora
não tenha concluído o curso, por ter-se casado e seu marido ter adquirido
uma doença degenerativa da visão, a qual lhe requeria atenção integral.
Alguns anos depois, começou a escrever crônicas pequenas e também poemas.
Mas nunca lhe passou pela cabeça, publicá-los, apesar dos incentivos de
amigos. Cynthia diz com orgulho, que tem como seu tio - trisavô, Antero de
Quental, por parte de mãe, e como seu tio - avô, Eric Maria Remarque, por
parte de pai, contudo, lamenta não lhes ter herdado o talento para a
escrita.
Cynthia concluiu os cursos de Filosofia e Sociologia na Fundação Getúlio
Vargas. Considera-se uma mulher «lunar», pois costuma sentir-se inspirada a
escrever durante as madrugadas. Membro do site Verso&Prosa, Tem um Blog,
onde publica suas crônicas e textos de assuntos diversos, como
comportamento, atualidades, cinema e poesia. Escreve também uma coluna para
este jornal.
Amante dos animais sempre abraçou esta causa. Recentemente foi agraciada com
o selo «Vej@Blog.com.br», como um dos melhores blogs/sites do Brasil,
publicou seu primeiro livro de crônicas «Buraco da Fechadura» em 2010 e está
em processo de finalização de seu segundo livro.
O Tempo e a
Partícula de Higgs por Cynthia Kremer
Inspirada por um comentário do escritor Paulo Coelho, e por
partilhar da mesma teoria, resolvi escrever sobre a percepção de
«tempo». Assim como ele, também acredito que o tempo pode ser uma
via paralela onde caminham juntos, presente, passado e futuro. A
física quântica aposta nessa teoria. O que por exemplo, chamam
premonição, - uma sensação que quase todos nós já experimentamos
alguma vez na vida - é, para mim, quando a nossa mente dá um pulinho
no futuro e volta rápido, sem se dar conta disso.
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Super-ego, Avatares e Personas - Cynthia Kremer
Não foi à toa que escrevi na apresentação do meu perfil: «sou uma,
duas, nem sei eu quantas...» Sempre percebi que sou várias personas
em uma. «Atuo» ou interajo com as pessoas de acordo com o que sinto
intuitivamente em relação à elas. Estou falando na 1ª pessoa do
singular, mas esse mecanismo cerebral é comum à todos nós porque
necessitamos de proteção e nos valemos das possibilidades que o
nosso ego nos apresenta em situações diversas.
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La Femme
Endormie - Cynthia Kremer
Outro dia estava revirando caixas antigas, papéis, quando me deparei
com um texto que há muito tempo não lia, mas que sempre me
impressionou pela sua beleza e por se tratar de algo diretamente
ligado à mim; a matéria a seguir, foi dedicada à minha bisavó,
Zulmira Uchôa Cavalcanti Fernandes Barros, sem que a autora da
matéria publicada no jornal «Correio da Manhã», (Carmen Dolores)
soubesse nada à respeito da história verdadeira, do que inspirou
nela, tal arrebatamento.
Mas ela chegou muito perto com suas suposições...meu bisavô, Miguel
Fernandes Barros, encomendou ao escultor francês, Jean Magrou, que
esculpisse para a sua mulher falecida, uma estátua em tamanho
natural, em seu leito de morte. O que se sabe é que meu bisavô ficou
devastado com sua morte e jamais se casou novamente. Eu também tenho
a honra de carregar comigo algumas de suas cartas, endereçadas a sua
filha mais velha, Maria Barros Werneck, minha tia-avó. São cartas
lindas, bem escritas e inspiradoras!
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21
gramas de Incertezas - Cynthia Kremer
Estava lendo uma matéria da revista IstoE, com o tema: «11 perguntas
que os cientistas ainda não conseguem responder» e uma delas, se
referia à «alma». Ou peso atribuído à «alma».
Foi o que afirmou o médico americano Duncan MacDougall, em 1907,
quando quis comprovar a existência da alma. Sua teoria era que
qualquer ser humano, não importando o tamanho ou a idade, perdia, na
hora exata da morte, 21 gramas.
O que para ele, seria esse, o peso da alma. Já para o neurologista
Gilberto Fernando Xavier, «a alma nada mais é do que os bilhões de
neurônios do cérebro alimentados pela formação cultural e toda sorte
de informação que um indivíduo recebe durante a vida». Me identifico
mais com a segunda hipótese. |
Epifania ímpia
Quando me sinto meio desanimada, deprimida, ou mesmo com muita raiva
e descrente da humanidade eu costumo assistir a um documentário
antigo – mas muito ainda hoje muito atual - de Carl Sagan.
E antes de lamentar o fato de não existirem mais Carls Sagans,
Richard Dawkins, Stephens Hawkings e Daniel Dennets no mundo, do que
Jair Bolsonaros, Beatriz Rondons, Tiriricas e afins, percebo o quão
vãs, pequenas e tolas são as minhas lamúrias e a minha própria
existência.
Sinto vergonha da minha pequenez e das minhas queixas. Se Carl Sagan
é feito da mesma matéria estelar que Jair Bolsonaro, por que razão
hei de me torturar?
Sou a poeira da poeira da poeira da poeira do desconhecido. Sou um
acidente cósmico, sou tão efêmera como o momento da queda da maça da
macieira e infinitamente menor do que suponho.
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